Crônica das Sextas
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Passo certo

Lá pelos idos anos 70, precisamente no dia 7 de abril, quando a cidade de Palmeira aniversaria, estava eu assistindo o d..

João Marcos - 25 de maio de 2018, 05:23

Foto: Desfile do aniversário de Palmeira -  Publicada no Grupo Amigos de Palmeira por Simone Rodrigues Ristow
Foto: Desfile do aniversário de Palmeira - Publicada no Grupo Amigos de Palmeira por Simone Rodrigues Ristow

Lá pelos idos anos 70, precisamente no dia 7 de abril, quando a cidade de Palmeira aniversaria, estava eu assistindo o desfile escolar alusivo à data.

Ao meu lado um amigo que fora ver seu filho. Entre a apresentação da destacada e premiada fanfarra comandada pelo professor Raul Brás de Oliveira, as escolas passavam garbosamente, ritmadas, cadenciadas, externando o civismo que hoje não existe mais entre os educandos e entre nós também. Lamentável!

Lembro que depois do Grupo Escolar Jesuíno Marcondes, veio o Colégio Estadual Dom Alberto Gonçalves.

Na frente, a baliza, uma espécie de "abre alas", aluna destaque com uniforme diferenciado, fazia evoluções coreográficas que certamente chamava a atenção da plateia pelo sincronismo e suavidade dos seus passos. Sorriso aberto, acrobacias com a batuta.

Em seguida, as caixas de guerra, os repiques e os surdos, tambores que cadenciavam a marcha e davam um ar patriótico e festivo. Cornetas davam vida à marcha e animavam o desfile.

Alguns pais se emocionavam tanto que as lágrimas escapuliam dos olhos! Ali estavam seus filhos representando a escola, a educação, o amor à cidade, à pátria. Um momento cívico. A bandeira nacional tremulava. Ordem e Progresso! O patriotismo pulsava nos corações de todos!

Ao meu lado direito, aquele amigo que fora assistir seu filho. Esboçava um sorriso boca a boca e seus olhos externavam emoção e contentamento. Parecia até um pouco nervoso.

De repente, me deu uma cotovelada:

- Veja... Lá vem ele. O quinto aluno da terceira fila.

- Tem certeza?

- Claro! Ele mesmo! Que orgulho!

- Sim... Sim, estou vendo. Ele está com o passo errado! - falei meio sem jeito.

- Claro que não! É o único que está com o passo certo! - foi a resposta.

Assuntei. Nada mais falei.

Reflexivamente... não adianta nada falar a quem não quer ouvir, nem tampouco mostrar a quem não quer enxergar.

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