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Entenda a diferença entre alergias e intolerâncias alimentares

Médica cooperada da Unimed Curitiba gastroenterologista fala sobre sintomas, diagnóstico, tratamento e rotina das pessoas com alergias e intolerâncias

Unimed Curitiba – Conteúdo de Marca - 07 de junho de 2022, 14:56

alimentação
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Há algum tempo, as pessoas consumiam glúten e lactose sem problemas. Mas, de uns anos para cá, é cada vez mais comum vermos pessoas comentando que se sentem mal ao ingerir determinados alimentos. Geralmente, esse mal-estar tem ligação com um quadro de intolerância ou alergia alimentar, duas condições de saúde bastante sérias. Pensando nisso, conversamos com a médica cooperada da Unimed Curitiba especialista em gastroenterologia, Danielle Kiatkoski, e listamos as principais diferenças entre as condições alimentares. Confira, abaixo, a entrevista completa em que a médica explica como identificar uma ou outra, quais são as alergias mais comuns, os sintomas, diagnóstico e tratamento para cada um dos casos.

Qual a diferença entre alergia e intolerância alimentar?

A alergia alimentar é uma resposta imunológica que ocorre após contato ou ingestão das proteínas de determinados alimentos, como leite de vaca, ovos, frutos do mar, trigo, amendoim e soja.  Já a intolerância é a carência de uma enzima que processa certos nutrientes. O exemplo mais comum é a intolerância à lactose, em que o indivíduo não produz lactase – enzima que catalisa a hidrólise da lactose em glicose e galactose, que faz parte da secreção intestinal e é essencial para a digestão do leite – ou a produz em menor quantidade.

O popular termo “intolerância ao glúten” é usado de forma equivocada. A doença celíaca é, na verdade, uma patologia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten (trigo, centeio, cevada e aveia) em indivíduos geneticamente predispostos, ou seja, com tendência ao desenvolvimento da doença. 

Os dois casos possuem os mesmos sintomas?

Não. Nas alergias, a manifestação pode acontecer de várias formas e em graus variados de intensidade, como urticária, asma, rinite, cólica e até mesmo algo mais sério, como um choque anafilático. A doença celíaca, por exemplo, pode se manifestar em qualquer idade, predominantemente em mulheres, de três diferentes formas: típica -  diarreia, distensão abdominal, perda de peso, atrofia de musculatura glútea, inapetência, irritabilidade e anemia –, atípica – baixa estatura, anemia refratária a tratamento, osteoporose, desgaste de esmalte dos dentes, dores articulares, retardo da puberdade, irregularidade menstrual, fraqueza – e assintomática - ausência de sintomas, porém com alterações laboratoriais e na biopsia.

Nas intolerâncias, os sintomas podem ser variados, desde cólica, distensão abdominal, flatulência até diarreia severa. É importante lembrar que os intolerantes à lactose, por exemplo, podem ingerir pequena quantidade sem que apresentem sintomas severos, porém para os alérgicos, uma pequena quantidade pode trazer consequências graves. 

De que forma se dá o diagnóstico, tanto para alergia quanto para intolerância?

O diagnóstico de alergia alimentar é realizado por meio de histórico detalhado e complementado com testes alérgicos. A intolerância à lactose, por exemplo, é mais comumente diagnosticada com teste de sobrecarga oral.  Já a investigação da doença celíaca é feita por dosagem de anticorpos específicos e biopsia de mucosa duodenal – parte inicial do intestino delgado –, por meio de endoscopia digestiva alta. Para o diagnóstico da doença celíaca é fundamental não suspender o glúten antes da realização dos exames.

Existem tratamentos? Como eles funcionam?

Depende do caso. Na intolerância à lactose, é possível usar a lactase antes da ingestão de alimentos com lactose em sua composição, porém a quantidade de lactose tolerada é bem variável. Alguns indivíduos não conseguem digerir lactose mesmo ingerindo a lactase. 

No caso da doença celíaca, é fundamental a restrição total de glúten. Não existe cura para a doença e as enzimas digestivas não protegem contra o dano intestinal. A dieta sem glúten para o celíaco não é moda, não é uma opção. “Só um pouquinho de glúten’ pode trazer transtornos enormes”.

É importante lembrar que existe uma grande diferença entre alimentos sem glúten produzidos para a “dieta da moda” e alimentos sem glúten seguros para celíacos. O alimento sem glúten pode ter sido processado no mesmo ambiente ou na mesma máquina que o sem glúten e, dessa forma, está contaminado e não é apto para celíacos. O ideal é que em casa de celíaco não entre alimentos com glúten para evitar a contaminação cruzada.  Vale lembrar que a poeira do trigo pode ficar em suspensão por até 24 horas, contaminando tudo ao seu redor. A contaminação cruzada acontece, por exemplo, quando se usa o mesmo utensílio para preparar alimentos com e sem glúten ou a mesma esponja de lavar louças.

Também é importantíssimo lembrar que celíacos com animais de estimação como cães e gatos precisam estar atentos à composição da ração, pois os animais além de nos lamberem carregam o glúten em seu pelo e o espalham pelo ambiente. Medicamentos, cosméticos e produtos de higiene com glúten em sua composição também não podem ser usados por pessoas que possuem doença celíaca.

Como as pessoas com alergias e intolerâncias devem se alimentar fora de casa?

É importante evitar a ingestão dos alimentos com as proteínas as quais possui intolerância. Ou, se consumi-los, fazer sempre o uso da enzima, conforme prescrição médica. Existem restaurantes seguros para celíacos, livres de contaminação cruzada.

As restrições alimentares trazem consigo muitas dúvidas, por vezes angústias e dificuldades em relação à mudança de atitude e comportamento. O apoio familiar, sentimento de pertencimento e aceitação são fundamentais para a manutenção de uma dieta livre de glúten ou lactose.