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Hanseníase é alvo de preconceito desde a antiguidade

A detecção precoce somada ao tratamento reduz muito as chances de sequelas, afirma a dermatologista cooperada da Unimed Curitiba

Unimed Curitiba – Conteúdo de Marca - 22 de abril de 2022, 09:04

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De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil possui a maior carga da doença nas Américas e a segunda maior no mundo, ficando atrás somente da Índia. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que o Brasil diagnosticou mais de 15 mil novos casos da doença em 2021. Ao todo, de 2016 a 2020, foram diagnosticados 155,3 mil casos novos dessa enfermidade no país, sendo 19,9 mil no grau 2 de incapacidade física (que é o mais grave). Para ampliar o conhecimento da população sobre a doença e ajudar combater o preconceito e o isolamento dos pacientes, a Unimed Curitiba conversou com a médica cooperada Rossana Spoladore, especialista em dermatologia, que compartilhou informações relevantes sobre a história da doença, sintomas, transmissão, diagnóstico e mais. Continue a leitura e confira!

Estigma - De acordo com a médica, a realidade é que tanto a demora em diagnosticar a doença quanto o preconceito ainda são grandes com uma das complicações de saúde mais antigas da humanidade, com relatos de casos desde 600 a.C. No passado, a hanseníase era chamada de lepra, mas foi renomeada em 1995 por lei a fim de acabar com o estigma, que esteve diretamente ligado à falta de informações e crendices que foram repassadas sem qualquer fundamento. “Hoje já se sabe muito mais sobre a hanseníase e sobre como a detecção precoce determina qual o tratamento oportuno, resultando na possibilidade de reduzir bastante as chances de graves sequelas como uma deficiência, por exemplo. Por isso campanhas de conscientização como a do Janeiro Roxo são fundamentais. Durante muito tempo se pensou que não existia cura, mas a verdade é que há cura e, se precoce e corretamente realizado o tratamento, também diminui muito as possibilidades de complicações ocasionadas pela doença”, explica a médica que é membro efetivo da diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia - regional Paraná.

Sintomas e diagnóstico – Ou seja, ter mais informações sobre a doença, além de evitar situações constrangedoras e preconceituosas, ajuda na prevenção e na busca rápida por correto diagnóstico e tratamento. A médica destaca quais os sintomas e alerta: eles podem acontecer no decorrer da vida e não tem uma faixa etária específica. “Fique atento ao aparecimento de manchas que podem ser esbranquiçadas, acastanhadas ou avermelhadas. Essas manchas também apresentam alteração de sensibilidade no local, ou seja, diminuição na sensibilidade táctil, térmica e dolorosa. Podem acontecer alterações de sensibilidade no trajeto de nervos, perda de pelos, alteração da transpiração, aparecimento de caroços, perda de força muscular, pele e olhos ressecados, aparecimento de feridas e, às vezes, quadros reacionais com febre e mal-estar geral. São sintomas diversos devido às diferentes formas clínicas da doença, algumas mais contagiosas”, explica.

“Com esses sintomas, o diagnóstico de hanseníase, pode ser facilmente confundido com outros males que também ocasionam lesões na pele e alterações neurológicas”, comenta a dermatologista. Em algumas formas da doença, ela pode acometer outros órgãos como nariz e rins. Quando a descoberta é tardia, formas reacionais da enfermidade podem trazer riscos e deixar graves sequelas, especialmente a incapacidade física com deformidades em mãos e pés. No Paraná, por exemplo, em 2021 foram registrados 222 casos da doença, sendo que mais de 80% foram as formas mais graves, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SESA/PR).

Transmissão – A especialista destaca que a enfermidade é causada pela bactéria Mycobacterium leprae, também conhecida como bacilo de Hansen. “Seu contágio ocorre pela convivência prolongada e mais próxima de paciente sem tratamento. Apresenta transmissão por meio de gotículas de saliva e secreção nasal, ocorrendo mais comumente nos núcleos familiares. Importante dizer: a transmissão não ocorre pelo toque na pele”, esclarece. O tratamento é basicamente ambulatorial, com medicamentos prescritos e recomendados de acordo com a forma clínica da doença, e a dermatologista orienta que seja feito de forma correta principalmente para o paciente deixar de ser um transmissor da doença. “O tratamento não pode ser interrompido e pode durar até 2 anos. Outra questão crucial é a realização de exame dos contactantes para controle da transmissão, ou seja, as pessoas que mantém contato regular e próximo do paciente também devem procurar o médico para serem avaliadas”, compartilha.

A especialista afirma que há uma taxa de mortalidade relativamente baixa, mas a enfermidade ocorre principalmente em países com superpopulação, ou em desenvolvimento. Está na lista da OMS de doenças negligenciadas e existe um grande risco de endemia oculta da doença no país. Por isso, informar e conscientizar a população é de extrema importância para seu combate.