Surdez é uma doença e seu tratamento ajuda a restabelecer capacidade de ouvir

Unimed Curitiba – Conteúdo de Marca

Homem com a mão levantada ao lado da orelha, sinalizando dificuldade de audição, surdez

Especialista orienta como tratar a surdez e alerta para o cuidado com os ouvidos, o acompanhamento de sinais ao longo da vida e a busca por reabilitação quando for o caso

*Leitura estimada de 13 minutos

Mais do que uma limitação ou condição, a surdez atualmente é vista – e tratada – de uma forma muito diferente de antigamente. Até porque, ela é uma das alterações genéticas mais comuns do ser humano, e desde o nascimento. Segundo Rodrigo Guimarães Pereira, médico cooperado da Unimed Curitiba especialista em otorrinolaringologia, ocorre 1 caso de surdez a cada mil nascidos, o que faz ela ser extremamente comum. “Hoje não se indica mais uma simples adaptação ao paciente, como se a surdez fosse uma condição. A surdez é uma doença auditiva que tem tratamento e diversas características. A adaptação a uma vida sem audição era o foco no passado. Hoje em dia não mais e o foco dos tratamentos é ajudar o paciente a restabelecer a capacidade de ouvir e até mesmo reverter o tipo da surdez”.

A data 10/11 marcou o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez e o otorrino destaca a importância fundamental da quebra de tabus e preconceitos que ainda persistem e devem ser derrubados: “A surdez deve ser mais falada, melhor discutida para alertar quais atitudes geram perdas. Precisamos aprender a preservar o sistema auditivo, não se expor a excessos de estímulos acústicos intensos, cuidar com uso de fones de ouvido e aparelhos de amplificação em volume excessivos que podem, eventualmente, gerar uma perda que terá que ser reabilitada no futuro”.

Para o otorrinolaringologista a surdez ainda sofre com o estigma de ter sido chamada de deficiência por muitos anos, diferente da perda visual, por exemplo. “Qual a diferença entre usar óculos e usar aparelho auditivo? Ambos são próteses não implantáveis. Pessoas surdas convivem utilizando meios de reabilitação da sua surdez da mesma maneira que pessoas com alterações da capacidade de visão convivem quando utilizam meios de reabilitação para a visão. Muita gente ainda acha que o surdo é necessariamente surdo-mudo, pressupondo dificuldade de falar e de se adaptar ao meio. Mas a verdade é que o diagnóstico precoce de surdez, especialmente para as crianças (mas não só para elas), permite ganho de linguagem, reabilitação adequada e um desenvolvimento do ponto de vista de adaptação social e de convívio”, garante.

Como descobrir se há alguma perda na audição? – De acordo com o médico, a surdez tem sinais. Então além das medidas de prevenção, durante o desenvolvimento da criança (e depois durante a vida adulta) é importante a atenção cuidadosa dos pais, professores, cuidadores, médicos e de todos do convívio nos sinais de que a pessoa não escuta. O especialista conta que “desde o recém-nascido existem sinais característicos. São crianças que não reagem aos sons de maneira usual, não se assustam com sons intensos, não prestam atenção em atividades sonoras e nem têm interesse em estímulos sonoros, músicas. Crianças que têm atraso no seu desenvolvimento de linguagem usual e não emitem nenhum fonema já com 1 ano de idade. Esses são sinais de que a surdez pode estar presente e precisam de avaliação profissional. Isso deve ser visto por todas as pessoas envolvidas nos cuidados das crianças e não só pelos pais”, alerta.

Muitas medidas são tomadas para esse acompanhamento e há diferentes exames que ajudam no diagnóstico da surdez, especialmente na infância. Desde 2010, por exemplo, há um protocolo de triagem auditiva no Brasil, em forma de lei. Chama triagem auditiva neonatal e todas as crianças que nascem devem passar por ela na maternidade, ou até o primeiro mês de vida. E há outros exames que dependem da faixa etária a ser avaliada. Existem audiometrias chamadas comportamentais que medem a reação da criança ao estímulo sonoro com instrumentos tabulados para isso. E há a audiometria condicionada infantil em que se submete a criança a uma brincadeira ou reforço visual para que ela consiga entender qual estímulo está recebendo e se consegue percebê-lo na audição. Quando a criança está em idade pré-escolar ou escolar já consegue fazer o mesmo exame feito por adultos que é a audiometria tonal limiar. Tal exame, através de tons puros, vai apresentando diversos tipos de sons em fones de ouvido, em uma e na outra orelha, medindo a capacidade da pessoa de ouvir.

Tratamento – Para obter qualidade de vida Rodrigo Guimarães Pereira destaca a importância de diagnosticar a causa da perda auditiva. “Na verdade, quando há diagnóstico de surdez, entendemos que a adaptação à existência da surdez é um tratamento. Inclusive existem tratamentos de reversão da surdez quando há um diagnóstico possível de tratamento. Por exemplo, uma surdez de origem autoimune é causada por um ataque do sistema de defesa frente aos órgãos auditivos (entendendo que eles são agressores). E o sistema de defesa pode ser freiado com medicamentos autoimunes que diminuem a reatividade e o processo inflamatório gerado, levando a reverter parte ou até completamente a perda”, exemplifica.

O médico cooperado da Unimed Curitiba lembra também que existem casos de perda auditiva que são temporários como aqueles por processos inflamatórios na orelha média, com acúmulos de secreção. Eles ocorrem muito em crianças e são tratados normalmente com medicamentos, às vezes com cirurgia. “E há casos de doenças auditivas que geram perda, mas podem ter reversão com uso de medicamento ou com tratamento cirúrgico. Perfurações timpânicas, se tratadas cirurgicamente, podem reestabelecer a audição à normalidade”. Ele esclarece que sempre depende qual o tipo de perda auditiva para entender qual o tratamento possível para aquela perda.

Cuidados desde a infância e o vilão dos ouvidos – Sim, todo o sistema auditivo exige atenção, desde a infância, para prevenir impactos na audição. Afinal há graus de perda auditiva que podem surgir ao longo da vida. O especialista recomenda cuidar, principalmente, com os traumas físicos que são batidas e objetos inseridos no conduto auditivo e que podem, eventualmente, machucar as membranas timpânicas. E com os traumas acústicos, segundo ele os mais importantes, como exposições excessivas a ruídos intensos.

O que pode levar a traumas, principalmente, é uma ação direta de um objeto ou uma pressão excessiva no ouvido. Por exemplo: uma queda que leva a bater a orelha em uma superfície lisa, ou bater na superfície da água, ou ainda tomar um tapa na orelha, ações que resultam em uma pressão de ar excessiva que pode romper o tímpano. Um rompimento faz com que se perca parcialmente a audição. Outras formas de traumas podem gerar surdez como fraturas na base do crânio. São batidas na parte lateral – no osso mastoide que fica na região atrás da orelha – que podem englobar o órgão interno da orelha chamado cóclea. Um rompimento nessa região pode gerar uma surdez profunda e, usualmente, irreversível, de acordo com o médico.

Além desses cuidados básicos de prevenção tem um vilão pequenino, de fácil alcance, mas perigoso. Rodrigo Guimarães Pereira conta que “há riscos no uso das hastes de algodão porque elas não são indicadas para limpeza da orelha. O motivo? Elas são produzidas de uma maneira que, anatomicamente, vai contra o fluxo natural do cerume da orelha. Ele é produzido no terço externo do canal e o excesso de cerume normalmente se deposita na parte externa mais larga da orelha que alcançamos com o dedo”.

Então, na dúvida, o otorrino diz que a maneira correta de limpar os ouvidos e orelhas é com papel higiênico e com o dedo, limpando todas as circunvoluções do pavilhão auricular (parte externa da orelha) até onde o dedo médio alcança. “Para dentro do conduto não há necessidade de nenhuma limpeza. Não existe risco em não limpar, o risco está em limpar excessivamente a cera. Isso pode machucar a pele com o uso das hastes e eliminar muito a cera que é um fator de proteção da pele. Há casos de poucas pessoas, uma minoria, que produzem cerume em excesso e precisam, eventualmente, removê-lo em consultório médico. Porém, mesmo elas não devem tentar tirar o cerume em casa sozinhas”, orienta.

Causas de perda auditiva – A faixa etária não é um fator relevante para a surdez. O otorrino explica que é mais comum o desenvolvimento da surdez na terceira idade, a partir dos 65 anos, uma prevalência grande por conta do envelhecimento do sistema auditivo, além dos fatores genéticos. Porém, perdas auditivas são muito frequentes nas crianças também e, por isso, médicos e pacientes devem ser vigilantes em todas as faixas etárias na avaliação sequencial, na observação dos fatores sintomáticos e na investigação quando existe algum sintoma sugestivo.

Existem inúmeros fatores que podem levar à surdez ou ao desenvolvimento de perda auditiva. Os mais comuns são genéticos. Porém, na maior parte das vezes, a origem genética não é direta (herança autossômica dominante – histórico familiar) e sim indireta (herança autossômica recessiva – sem histórico familiar). “Ou seja, existe o gene sendo carregado na família do pai e o gene sendo carregado na família da mãe. Até que esses genes se coincidem no mesmo indivíduo. E outros fatores que podem causar perda auditiva progressivamente são síndromes genéticas que se desenvolvem de maneira diferente ao longo do tempo, alterações e doenças autoimunes, doenças renais crônicas, processos infecciosos recorrentes ou crônicos, infecções intraútero (podem gerar surdez progressiva e tardia na criança) e infecções intracranianas como meningite (podem gerar surdez como efeito secundário). Além das lesões traumáticas”, conclui.

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