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Prestes a ir a leilão, Evangélico é avaliado em mais de R$ 200 milhões

A novela envolvendo o Hospital Evangélico está cada vez mais próxima do fim ou, no caso, de um recomeço. Iniciado em mar..

Brunno Brugnolo - Metro Curitiba - 03 de maio de 2018, 07:09

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A novela envolvendo o Hospital Evangélico está cada vez mais próxima do fim ou, no caso, de um recomeço. Iniciado em março, o processo de avaliação dos bens está em processo final e deve ser entregue ao juízo hoje (3) ou, no máximo, amanhã (4). Com isso, será possível concluir o edital do leilão e publicá-lo.

O Hospital Evangélico foi avaliado em R$ 146 milhões e a Faculdade de Medicina, com suas 120 vagas de graduação por ano e seus 57 cursos de pós-graduação, em cerca de R$ 63 milhões.

Como os dois devem ser leiloados em conjunto, o arremate mínimo não sairá por menos de R$ 210 milhões, aproximadamente.

Marcado inicialmente para esta sexta-feira e depois agendado extra-oficialmente para o próximo dia 25, o leilão deve ocorrer, agora, no dia 22 de junho. A decisão caberá ao juiz da 9ª Vara do Trabalho de Curitiba, Eduardo Milléo Baracat, condutor do processo desde a intervenção do hospital em dezembro de 2014.

Responsável por determinar os valores, o leiloeiro público Helcio Kronberg diz que ainda faz a revisão final dos números. “A Caixa Econômica Federal fez um laudo em relação aos bens imóveis e do negócio hospital. Dentro disso estimou em R$ 20 milhões os bens móveis, como máquinas, equipamentos, instrumentos, armários, utensílios e enxovais, por exemplo, mas não detalhou.

Isso foi contestado pela Igreja Luterana , que não concordou com o método, e o juiz ordenou que eu fizesse a avaliação detalhada desses móveis”, explicou.

Segundo Kronberg, muitos deles estão velhos, deteriorados e, por consequência, depreciados. “Deve ficar na ordem de R$ 15 milhões, mas casualmente o hospital está comprando neste momento uns R$ 5 milhões de equipamento relativos a uma emenda parlamentar. Eles serão penhorados e vão compor o patrimônio do hospital”, declarou.

Uma vez publicado o edital, será possível contestar a avaliação, mas Kronberg vê os quase 50 dias até o leilão como tempo suficiente.

O plano de saúde do Evangélico, avaliado por volta de R$ 7 milhões, não deverá ser ofertado neste leilão.

Exigências

Além de pagar dívidas trabalhistas, tributárias e bancárias, o leilão deve resguardar o interesse da saúde pública, mantendo o foco de atividade do hospital e da faculdade.

O Ministério Público do Trabalho, que pediu a venda conjunta de hospital e faculdade, quer manter pelo menos 60% dos leitos atuais do hospital para atendimento ao SUS, além da manutenção de parte dos postos de trabalho.

A manifestação foi corroborada pelo MP-PR (Ministério Público do Paraná) e pelo MPF (Ministério Público Federal).

A faculdade, por exemplo, deve manter a oferta da graduação de Medicina e dos cursos de pós-graduação. Deve também ser obrigatória a sua aquisição por alguma instituição de Ensino Superior credenciada pelo MEC – a possibilidade de um consórcio deve ser admitida, ou seja, empresas poderiam se associar para comprar o hospital

e a faculdade.

“Não é uma mera venda de massa falida. O hospital é referência e caso fechasse traria problemas para toda a rede pública”, diz Kronberg. A expectativa é de que MPT-PR e

MP-PR solicitem ao juízo que não sejam admitidas ofertas abaixo do valor mínimo.

O Metro Jornal procurou o presidente da Sociedade Evangélica Beneficente de Curitiba (proprietária das instituições), mas ele não atendeu às ligações.

Expectativa cria dificuldades, diz interventor

Por Metro Curitiba

De acordo com o administrador judicial do hospital, Ladislau Zavadil Neto, o “atraso” na execução do leilão não é bom. “É difícil gerenciar. Essa expectativa cria uma série de dificuldades no corpo funcional, médicos, fornecedores – fica todo mundo preocupado. Minha torcida é para que aconteça o mais rápido possível”, desabafou.

Na luta para manter a instituição de pé, como mesmo define, Zavadil Neto admite que o déficit mensal gira na casa de R$ 1,4 milhão. ‘Vem caindo, estamos fazendo todo o empenho, cortando todo o tipo de custo e uma parte da dívida bancária terminou de ser paga agora”, conta.

Para os bancos ainda falta pagar cerca de R$ 25 milhões. Segundo ele, só de passivos trabalhistas, por exemplo, foram R$ 80 milhões pagos durante período da intervenção. Porém, restam R$ 83 milhões de sentenças condenatórias trabalhistas.

Somando processos em fase de recurso ou ainda sem sentença, o valor pode ficar na casa dos R$ 200 milhões. Como falta dinheiro, ele acredita que somente o sucesso do leilão vai permitir pagar a folha em dia e fazer a manutenção necessária.

“São muitos equipamentos deteriorados e não podemos aumentar o atendimento assim”, explica. Hoje, são mais de mil atendimentos por dia no local.