Grande Curitiba e Litoral
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Saúde das tartarugas no Litoral preocupa pesquisadores

Apesar do número recorde de animais registrados no litoral do Paraná durante a avaliação da população regional de tartar..

Brunno Brugnolo - Metro Curitiba - 02 de abril de 2018, 08:11

Foto: Julio Bazanella / Associação MarBrasil
Foto: Julio Bazanella / Associação MarBrasil

Apesar do número recorde de animais registrados no litoral do Paraná durante a avaliação da população regional de tartarugas-verde (Chelonia mydas) pelo Rebimar (Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha) em março, os pesquisadores não tiveram boas notícias.

Na operação realizada entre os dias 4 e 22, 77 diferentes tartarugas foram capturadas e avaliadas em relação à condição de saúde, por meio de análises sanguíneas e bioquímicas, e quanto a características biológicas – por meio de biometria e amostras coletadas.

Segundo a bióloga Camila Domit, responsável pelo Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR, e coordenadora das atividades com tartarugas marinhas do Programa

Rebimar, a maioria dos animais apresentou imunidade baixa e o estado atual é preocupante.

“A distribuição de patógenos

As tartarugas verdes – animais migratórios – tem 12 berços na região central e sul do Oceâneo Atlântico, como em ilhas próximas do Caribe, Fernando de Noronha e até ilhas mais próximas da África, como a britânica de Ascensão.

“Pelas análises iniciais já verificamos que elas vêm de 10 sítios de reprodução diferentes e são bem jovens, estão vindo se desenvolver cedo na costa brasileira. Ou seja, não adianta somente essas regiões de berçário trabalharem pela espécie se a gente não fizer nossa parte”, diz a bióloga.

Para Domit, a ação humana de forma cumulativa está afetando o litoral, desde a poluição química por efluentes, a sonora do porto e da dragagem, até a destruição da área

costeira.

Sentinela

Assim como o golfinho (boto), que é residente do litoral, a tartaruga é considera uma sentinela do meio ambiente. “Ambos nos mostram que a situação atual é de desequilíbrio. Primeiro fica evidente neles. É claro que boa parte das pessoas não depende exatamente dos mesmos recursos, mas as comunidades do litoral sim”, diz.

A bióloga diz que os animais já estão buscando outras formas de alimentos, de uso do ambiente e modificando seu parâmetros de saúde.