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Empresários querem renegociar contratos do transporte público de Curitiba

Lenise Aubrift Klenk, BandNews CuritibaEmpresas de ônibus contrataram um estudo para justificar a alegação de que os con..

Andreza Rossini - 18 de fevereiro de 2017, 09:12

Lenise Aubrift Klenk, BandNews Curitiba

Empresas de ônibus contrataram um estudo para justificar a alegação de que os contratos do sistema de transporte coletivo de Curitiba estão em desequilíbrio econômico-financeiro. A diferença entre a estimativa e a demanda real de passageiros é apontada como principal fator de perdas.

De acordo com as empresas, o número de usuários do sistema caiu mais do que o contrato previa. Para restabelecer o equilíbrio, os empresários querem repactuar o contrato com a Urbs. O estudo da consultoria Ernst & Young aponta que as empresas acumulam desde o início dos contratos, em 2010, perdas financeiras superiores às que estavam previstas. Isso não significa prejuízo.

As perdas estão previstas para esta fase, em que os investimentos são superiores às receitas. Somente em 2021 as empresas vencedoras da licitação para operar o transporte coletivo de Curitiba devem começar a recuperar os investimentos.

Os empresários alegam, no entanto, ter acumulado até agora uma perda de R$ 755 milhões a mais do que o previsto, que seria de R$ 545 milhões até este ano. Ou seja, a perda acumulada é de R$ 1,3 bilhão. O diretor executivo do Sindicato da Empresas de Ônibus (Setransp), Luiz Alberto Lenz César, defende a redução de custos para garantir o equilíbrio do sistema de transporte de Curitiba.

"A solução prática imediata é a redução do custo do sistema. Curitiba foi exemplo para o mundo e nós queremos voltar a ter esse orgulho de ter o melhor transporte. A cidade cresceu, o custo é alto e precisamos adequar, ser mais modernos, mais ágeis, diminuir custo com as estações tubo e racionalizando e otimizando o sistema" afirmou.

O Setransp também defende um maior controle das passagens gratuitas do sistema, com uso de tecnologia como biometria facial para evitar que usuários não cadastrados usem o cartão dos beneficiários da gratuidade.

Para comprovar a queda no número de passageiros, os empresários contrataram ainda um estudo de um professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para analisar o comportamento dos usuários do transporte coletivo de Curitiba. De acordo com as empresas, a Urbs estimou para o período tarifário de 2016 uma média mensal de 17,6 passageiros. O estudo apresentado pelo professor Cassius Tadeu Scarpin projeta para o período uma média de 16,3 mi usuários.

A média realizada, mas ainda a ser confirmada com os números de fevereiro, é de 16,4 mi. Lenz César diz que o sistema precisa voltar a atrair um maior número de usuários, mas os empresários não abrem mão de negociar um aumento da tarifa técnica. O valor, no entanto, não foi revelado.

"Nós estamos falando da passagem do usuário, o custo da tarifa técnica tem uma série de outros itens que traz o equilíbrio-econômico financeiro do contrato. Não temos o valor porque ainda não sabemos qual será o reajuste dos motoristas e cobradores", disse.

Os motoristas e cobradores de ônibus rejeitaram a proposta de aumento salarial das empresas. Os empresários ofereceram um reajuste de 3,81%, que equivale a 70% da inflação. A categoria pede 15% de aumento.

Em nota, a Urbs informou que não tomou conhecimento dos estudos apresentados pelo Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), mas afirma que as empresas que assinaram os contratos tinham pleno conhecimento das regras estabelecidas no edital de licitação.