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Engenharia natural pode substituir obras em parque

Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba Um professor e dois alunos do 7º período de Engenharia Civil da UFPR (Universidad..

Narley Resende - 13 de fevereiro de 2017, 09:11

Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba

Um professor e dois alunos do 7º período de Engenharia Civil da UFPR (Universidade Federal do Paraná) têm um projeto inovador para recuperar as margens do lago do Rio Belém no Parque São Lourenço, em Curitiba.

Em vez de estruturas de tradicionais como muros de contenção, gabião (gaiolas de aço preenchidas com pedras) ou as constantes obras de drenagem, a solução apresentada por eles utiliza plantas como ‘materiais de construção’ para estabilizar as margens do lago, que desde a sua criação nos anos 70 sofrem com erosão e deslizamentos de encosta.

Esta ‘obra natural e invisível’ é a chamada Engenharia Natural, ou Bioengenharia de Solos, técnica que ‘utiliza elementos vivos que melhor se adaptam ao ambiente’, conforme resume Lucas Ghion Zorzan, responsável pelo projeto junto com seu colega Leandro Vidal Costa Castelani e o Prof. Dr. Elvídio Gavassoni.

“Identificamos o problema – a movimentação das massas de solo indo para dentro do lago –, fizemos os levantamentos de campo e os dados para dimensionar a solução e estamos testando a viabilidade da obras, seu custo, segurança”, explica Lucas.

Segundo ele, a proposta é usar plantas nativas para respeitar a biodiversidade local, além de madeira e biomantas (fibras vegetais) temporariamente até que a planta exerça sua função estrutural.

Com o apoio do curso de Engenharia Florestal e do departamento de Botâ- nica da UFPR, eles estudam plantas que podem se regenerar e suportar o ciclo natural do rio, com cheias e deslizamentos.

“O sucesso depende da vegetação dar certo no local. A obra em si não é cara, é mais barata e artesanal que uma intervenção comum e também requer menos manutenção”, diz o professor Gavassoni, que já entrou em contato com o poder municipal para apresentar a projeto básico – quase pronto. “Até hoje, só com as dragagens, estamos convivendo com o problema e não resolvendo”, diz.

Gavassoni também procura espécies em outras universidades e já visitou o horto municipal, que possui plantas que podem ser utilizadas - caso do sarandi, da aroeira e da quaresmeira. “Podemos utilizar plantas que a prefeitura tenha ou que possa replicar. Também poderíamos treinar a equipe para a implantação, não é difícil.”

Segundo o professor, o Rio Barigui e o lago do Parque Barigui também sofrem com problemas similares de erosão e deslizamentos e também poderiam receber as técnicas de Engenharia Natural.