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Hospital Evangélico de Curitiba diz não ter condições de retomar serviços

Com CBN CuritibaMédicos e funcionários do Hospital Evangélico de Curitiba fizeram um protesto cobrando uma solução para ..

Mariana Ohde - 06 de dezembro de 2016, 07:13

Com CBN Curitiba

Médicos e funcionários do Hospital Evangélico de Curitiba fizeram um protesto cobrando uma solução para a crise financeira pela qual passa o hospital. Apesar de um repasse adicional feito pelo município, a direção afirma que não tem recursos para a folha de pagamento e a manutenção dos serviços, que estão parcialmente suspensos desde o fim do mês de novembro.

O grupo se concentrou na Praça Alfredo Andersen, em frente ao hospital, e de lá seguiu em passeata até a Boca Maldita. A mobilização foi marcada após a audiência pública mais recente, realizada entre o Hospital Evangélico e o Ministério Público do Trabalho, na qual foram discutidas as dificuldades de caixa da instituição.

Na ocasião, a diretoria do hospital já havia suspendido serviços por falta de recursos e enfrentava problemas de pagamentos que, segundo o interventor, teriam sido causados pelo fim dos adiantamentos que eram repassados pela prefeitura junto com os R$ 10 milhões devidos pelos atendimentos via Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde, Isabel Cristina Gonçalvez, todos os profissionais estão com problemas para receber os salários.

"Já vinha sendo pago com bastante atraso, após o dia 20 de cada mês. Agora, neste mês, uma parte dos trabalhadores recebeu até o dia 20, outra recebeu no dia 30. O auxílio-alimentação saiu no dia 1 ou 2. Então a situação é bem crítica. Para os trabalhadores em especial, porque eles têm suas contas, dívidas, luz, água. Não é fácil", lamenta.

Não há dinheiro suficiente também para a aquisição de materiais, o que causou a interrupção de serviços. A intenção seria manter a qualidade de atendimento para os pacientes que já estão internados.

No fim do mês de novembro, quando o atendimento foi reduzido, a administração do hospital defendia que a única solução emergencial para garantir os serviços seria a retomada dos adiantamentos por parte do município, o que foi feito, de acordo com a representante dos trabalhadores. "A perspectiva é a de que isso se arraste até fevereiro ou março do próximo ano. O pedido principal era que a prefeitura voltasse a pagar as antecipações que estava realizando e foram suspensas, e eles já cumpriram esse pedido", afirma.

Resposta da prefeitura

Em nota, a prefeitura de Curitiba afirmou que tem mantido um diálogo constante com todos os envolvidos com a gestão do Hospital Evangélico em busca de soluções para a crise financeira da instituição. A Secretaria da Saúde de Curitiba reconhece a importância e o papel fundamental do hospital para o SUS.

Considerando a situação, a prefeitura antecipou, de forma extraordinária, na última terça-feira (29), mais R$ 1,6 milhão para o hospital referente à contratualização. Por fim, a prefeitura informa que o apoio tem limites legais a serem cumpridos e todos os esforços possíveis têm sido feitos para ajudar o Hospital Evangélico".

Valor insuficiente

Também em nota oficial, o Hospital Evangélico afirmou que, para esta sexta-feira (9), é esperado um novo repasse de verbas, mas que o valor não será suficiente para colocar em dia todos os salários atrasados. Segundo o Evangélico, o valor deve apenas garantir a manutenção do funcionamento dos setores que continuam atendendo pacientes.

Estão suspensos desde o final de novembro os atendimento aos pacientes oriundos do Samu, Siate e da central de leitos, além do agendamento de cirurgias eletivas, sem previsão para retomada.

Procurada, a prefeitura de Curitiba não confirma esse novo adiantamento citado pelo hospital.