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MST expõe na Assembleia versão de conflito agrário

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) participam na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) ..

Mariana Ohde - 08 de novembro de 2016, 11:24

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) participam na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) nesta terça-feira (8) de um debate sobre o conflito agrário instalado no município de Quedas do Iguaçu.

Um dos temas do debate na Comissão de Direitos Humanos e Cidadania é a operação da Polícia Civil que teve como alvo integrantes do MST. O encontro é restrito a autoridades e convidados.

Segundo o presidente da comissão, deputado Tadeu Veneri (PT), o objetivo é ouvir todas as partes envolvidas na questão para que o grupo possa atuar.

“Queremos mais informações do ocorrido. Nós ouvimos a versão da Secretaria de Segurança Pública, que fez todo seu apanhado. Nós precisamos ouvir também seja integrante do movimento, do Ministério Público, da Defensoria Pública, qual o entendimento que têm disso”.

Participam da reunião representantes do Ministério Público do Paraná, da Defensoria Pública, da Ouvidoria Agrária do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), da Assessoria Especial para Assuntos Fundiários do Governo do Paraná e da Organização Terra de Direitos.

Operação Castra

A Polícia Civil do Paraná deflagrou a operação na sexta-feira (4), mirando integrantes do MST suspeitos de participar de uma organização criminosa investigada por furto e dano qualificado, roubo, invasão de propriedade, incêndio criminoso, cárcere privado, entre outros crimes. Entre os investigados, está o vereador Claudelei Torrente de Lima (PT), eleito neste ano em Quedas do Iguaçu.

Defesa do MST

Advogados de líderes do MST afirmam que armas apreendidas na Operação Castra, na última sexta-feira (4), estavam com um homem que foi preso um dia antes da ação. De acordo com a defesa, o homem não têm nenhuma relação com o MST. “As armas apreendidas no âmbito da Operação Castra pertencem à Evaldo de Azevedo, que foi preso dias antes, noutra operação, e não guarda nenhuma relação com o Movimento Sem Terra ou com o Acampamento Dom Tomás Balduíno”, diz a nota assinada por Giane Alvares, Juvelino Strozake, Luciana Pivato , Diego Vedovatto e Paulo Freire.

Baixo Iguaçu 

A Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia também participará de uma reunião para mediar o conflito na região da Usina do Baixo Iguaçu, no Sudoeste do Paraná. Famílias que ainda não foram indenizadas ocupam a entrada do canteiro de obras. “Há uma tensão muito grande na cidade. Enquanto não tiver a indenização daquelas famílias essa tensão será permanente. Essa será a terceira reunião na busca de uma solução”, ressalta Veneri.

Também participam da negociação representantes das Comissões de Direitos Humanos da Câmara Federal e do Senado. O encontro acontecerá no dia 18 deste mês, às 14 horas, na comunidade rural de Marechal Lott, em Capanema.

Protesto do MTST

Paralelamente, mas sem relação com a reunião do MST, um grupo de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) realizou na manhã desta terça-feira (8) uma manifestação, no Centro de Curitiba. O ato começou às 9h30, na Praça 19 de Dezembro, e seguiu em marcha pela Avenida Cândido de Abreu até a prefeitura, no Centro Cívico.

Participam do ato centenas de moradores das ocupações Nova Primavera, 29 de Março, Dona Cida e Tiradentes, localizadas na Cidade Industrial de Curitiba.

Paulo Bearzoti, uma das lideranças do MTST, afirma que o grupo cobra políticas públicas de moradia popular. "A nossa pauta, em primeiro lugar é a manutenção dos acordos feitos com a prefeitura de não haver despejo, se sempre se manter o diálogo. Mas principalmente a construção das moradias do conjunto habitacional pelo Programa Minha Casa Minha Vida Entidades. O governo Michel Temer meio que suspendeu o Minha Casa Minha Vida, e tem um compromisso, e que se cumpra o compromisso", disse ao Brasil de Fato Paraná.

Os integrantes do MTST chegou a entrar no hall de entrada da Prefeitura de Curitiba e depois se dirigiu à Assembleia, onde os portões foram fechados. Depois, o grupo voltou à prefeitura.