Grande Curitiba e Litoral
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Número de moradores de rua é bem maior, diz assessora da FAS

Giulia Fontes, especial para o Metro Jornal CuritibaDepois do polêmico fechamento do guarda-volumes para a população de ..

Narley Resende - 20 de janeiro de 2017, 08:49

Giulia Fontes, especial para o Metro Jornal Curitiba

Depois do polêmico fechamento do guarda-volumes para a população de rua na Praça Osório, na semana passada, a Prefeitura de Curitiba diz que ainda estuda quais serão as diretrizes do atendimento municipal para essas pessoas. O primeiro passo da nova gestão é fazer um mapeamento das pessoas em situação de rua pela cidade.

“Temos um relatório de 2016 que aponta para 1.715 pessoas em situação de rua, mas sabemos que esse número é bem maior”, diz Maria Alice Erthal, da Diretoria de Programas Especiais da FAS (Fundação de Ação Social).

O levantamento, que busca compreender quem são essas pessoas e quais são as suas principais demandas, tem sido feito nas abordagens que os educadores da FAS realizam pelo centro da cidade. “Todos os dias passamos pelos mesmos locais e vemos pessoas diferentes. O perfil da população de rua de hoje é muito distinto do que era anos atrás. Há muita gente que veio de fora”, explica Maria Alice.

Mais parcerias

Depois de feito o mapeamento – o que deve levar no máximo dois meses –, a intenção da prefeitura é ampliar a rede de convênios com outras entidades, buscando aperfeiçoar o atendimento.

Entre as metas está aumentar o número de vagas de abrigamento (hoje são 1.717 vagas, em 15 unidades municipais e outras 36 conveniadas) e abrir um espaço para tratamento de dependência química. “A longo prazo estamos pensando na abertura de repúblicas”, afirma Maria Alice.

Para discutir a inserção da população de rua no mercado de trabalho a intenção da FAS é se aliar à SMTE (Secretaria Municipal de Trabalho e Emprego) em busca de alternativas.

Demandas

Para quem acompanha de perto a situação da população de rua, entretanto, somente ampliar o que o sistema já oferece não é suficiente.

Para Luís Alves Pequeno, educador popular do Cefuria (Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo) – que desenvolve trabalhos de economia solidária com a população de rua – o atendimento oferecido em Curitiba está à frente do que é feito em outras capitais, mas ainda é insuficiente.

“As políticas públicas são feitas para a população de rua, e não com ela. São medidas tomadas de cima para baixo”, afirma Pequeno.

Para o educador popular um dos problemas das atuais diretrizes de assistência social é a homogeneidade no tratamento de pessoas com demandas diferentes entre si. “São medidas que tratam de forma universal uma população muito heterogênea”, defende.

Além disso, ele aponta que o modelo não estimula a autonomia, gerando uma popula- ção “eternamente assistida”. “É uma perspectiva de abrigar e dar comida, apenas, sem oferecer de forma intensa dois pontos essenciais: estudo e trabalho”, coloca Pequeno.

A saída seria construir as melhorias em conjunto com os movimentos sociais. “Na última gestão não havia uma abertura efetiva. Nessa ainda não sabemos como vai ser”, diz.

O Metro Jornal tentou contato com o MNPR (Movimento Nacional da População de Rua) em Curitiba, mas não conseguiu conversar com nenhuma das lideranças.