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Programa ‘Saúde Já’ promete fim de filas para pacientes em Curitiba

A prefeitura de Curitiba lançou ontem o ‘Saúde Já’, conjunto de ações que pretende diminuir o tempo de espera por exames..

Mariana Ohde - 22 de fevereiro de 2017, 08:35

A prefeitura de Curitiba lançou ontem o ‘Saúde Já’, conjunto de ações que pretende diminuir o tempo de espera por exames, consultas e cirurgias. O Saúde Já começa no próximo mês com o ato de revitalização do laboratório municipal no dia 7 e tem cinco mutirões de especialidades com inícios programados para março e abril.

“Estamos fazendo um esforço continuado para reduzir as filas de exame e a nossa intenção é que, com essa ação, não sejam formadas novas filas”, declarou o prefeito Rafael Greca (PMN), que vai investir R$ 12 milhões no programa. Cerca de R$ 2 milhões serão gastos para revitalizar o laboratório – R$ 1,4 milhão para o pagamento de dívidas com fornecedores e mais de R$ 500 mil para comprar reagentes e insumos. Segundo a prefeitura, a demanda reprimida de 330 mil exames deve ser solucionada em dois meses e os novos exames serão marcados e processados de um dia para o outro ou no máximo em uma semana, dependendo do tipo.

Cerca de 55 mil pessoas devem ser beneficiadas em um primeiro momento. A espera atual chega a três meses para exames considerados simples como, por exemplo, o de glicose, de colesterol e o hemograma.

Já os mutirões começam no próximo dia 9, no Hospital Evangélico, com a especialidade de Dermatologia e pequenas cirurgias de pele com a previsão de atender 150 pacientes por dia. Além desta, a secretaria municipal de Saúde selecionou mais quatro especialidades – as de maior espera – para realizar mutirões que começam nos próximos dois meses e só acabam depois de atender a demanda reprimida.Agenda dos Mutirões de Saúde de Curitiba

Ao todo, R$ 10 milhões serão investidos nestes cinco mutirões, que devem atender 95 mil pessoas. Nos mutirões, tanto consulta como exame devem ser feitos juntos.

“Queremos evitar que o usuário saia de uma fila e tenha de entrar em outra para fazer um exame”, disse o secretário João Carlos Baracho.

Mutirões

No dia 9 de março, acontece o primeiro Mutirão do Saúde Já, começando com a especialidade de Dermatologia e Pequenas Cirurgias Dermatológicas. Os mutirões das especialidades continuarão em uma ação de esforço concentrado, até atender a demanda reprimida. Estima-se que 95 mil pessoas sejam atendidas ao todo.

O primeiro mutirão acontecerá no Hospital Evangélico. Para organizar a agenda de atendimentos, a partir do dia 2 de março os pacientes que estão na fila serão chamados para avaliação. Cerca de 150 pacientes serão avaliados todos os dias em média, a partir desta data. Hoje, 15.810 pessoas aguardam consultas dermatológicas e 4.260 para realizar pequenas cirurgias. O tempo médio de espera é de dez meses para consulta e 19 meses para a cirurgia.

As outras especialidades terão uma sistemática parecida. Na área de Cardiologia, o mutirão inicia no dia 16 de março. Nesta especialidade, a fila para a consulta é de 6.066 pessoas, com tempo média de espera de 4 meses. Só para o exame de ecocardiografia transtorácica, por exemplo, a demora chega a 25 meses.

A proposta é que no mutirão, tanto a consulta, como o exame, sejam feitos no mesmo momento. “Queremos evitar que o usuário saia de uma fila e tenha de entrar em outra para fazer um exame. É inadmissível que o cidadão tenha que, após aguardar meses por uma consulta, esperar mais 25 meses para realizar um exame. Vamos solucionar isso”, diz Baracho.

Um mutirão só para Exames Complementares, como Raio-X, ultrassonografia, ressonância, está previsto para 30 de março. Com uma fila de espera média de 24 meses, são 25.418 pessoas aguardando atendimento.

No dia 6 de abril está programado também o mutirão para a área de Ortopedia. “Essa é a área que temos a maior demanda reprimida”, lembra Baracho. Há 25.405 pessoas na fila aguardando e o tempo médio de espera chega a 22 meses. No caso de cirurgia de cotovelo, a espera chega a 82 meses. O quinto mutirão programado será de cirurgia vascular. Com 11.098 pessoas aguardando atendimento, o tempo de espera costuma ser de 20 meses.

"Há muito a fazer"

Em audiência pública de prestação de contas da Saúde municipal referente aos quatro últimos meses de 2016, ontem, na Câmara Municipal, o secretário João Carlos Baracho disse que ‘há muito a fazer’ na pasta, que tem dívida de R$ 233 milhões.

“Esses primeiros meses têm sido difíceis, complicados. Muitos fornecedores com dificuldade de manter a continuidade, por falta de pagamento dos últimos meses. Já estamos trabalhando no mapa estratégico, repassando para todos os distritos sanitários e equipes de saúde aquilo que representa o nosso direcionamento”, declarou.

Segundo o secretário, a situação de muitas unidades visitadas é ‘absolutamente precária’. “Mato crescido, equipamento deteriorado, falta de medicamentos e insumos”, resumiu aos vereadores presentes.