Após invasão, prédio histórico da UFPR é desocupado

Redação


O grupo de estudantes que ocupou o prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR) nesta quinta-feira (3) à noite deixou o local neste sábado (5) após negociação.

Na ocupação, alguns dos estudantes invadiram a instituição mascarados e de forma forçada, depredando o prédio na confusão, o que causou revolta.

Na sexta-feira (6), estudantes contrários à ocupação e uma comissão formada por representantes da Administração Central e dos setores de Ciências Jurídicas e de Humanas se reuniram com o grupo para negociar a saída. A UFPR havia descartado a hipótese de pedir reintegração de posse.

Com o acordo de desocupação fechado, um documento com os termos firmados entre o grupo e a direção da universidade foi assinado simbolicamente em frente ao prédio. O texto foi lido pelo reitor Zaki Akel Sobrinho.

A negociação envolveu, segundo o reitor, a garantia de que os estudantes não serão responsabilizados ou criminalizados pela ocupação. A não criminalização dos alunos que ocuparam o prédio foi incluída na pauta da negociação depois que grupos contrários ao movimento questionaram a maneira como foi feita a ocupação, incluindo pessoas encapuzadas e de maneira considerada agressiva. Um vídeo compartilhado nas redes socais registrou o momento em os ocupantes assumem o comando do prédio.

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Uma nova rodada de negociação entre integrantes da direção da UFPR e o movimento que ocupa prédios da instituição está agendada para a próxima segunda-feira (7).

Após a saída dos estudantes do prédio histórico, as negociações seguem com o objetivo de desocupar outros prédios ocupados da universidade, como o Dom Pedro II, ao lado da Reitoria, onde ficam alguns dos setores administrativos da universidade.

Confira a nota da UFPR sobre a desocupação na íntegra:

A UFPR informa que o prédio histórico será liberado amanhã (05/11) ao longo do dia.

Os manifestantes que invadiram o prédio da UFPR, na Praça Santos Andrade, concordaram em desocupar o prédio símbolo da cidade de Curitiba, graças a frutífera e intensa negociação, da Comissão da UFPR para desocupação, composta por representantes da Administração Central e dos setores de Ciências Jurídicas e Humanas.

Desta forma, o diálogo, a negociação democrática e o respeito institucional, formas sempre adotadas por esta gestão, mais uma vez se fizeram vencedoras, contra a intolerância, a violência e a intimidação.

Protesto

Os manifestantes ocuparam o local em apoio ao protesto dos estudantes contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que estabelece um teto para os gastos públicos pelos próximos 20 anos e está sendo analisada no Senado. A proposta era denominada PEC 241 em tramitação na Câmara dos Deputados.

Os estudantes também se opõem à Medida Provisória (MP) 746, que prevê a reforma do ensino médio.Captura de Tela 2016-11-04 às 11.09.34 AM

Instituições ocupadas

Segundo a União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), o Paraná tem 850 escolas ocupadas, já a Secretaria da Educação contabiliza cerca de 560. O prédio histórico foi o oitavo prédio da UFPR ocupado.

As ocupações na UFPR começaram nos prédios Dom Pedro I e Dom Pedro II, do complexo da Reitoria. Agora, o Politécnico, os campi do Jardim Botânico e no litoral também têm ocupações.

Na ocasião da ocupação da Reitoria, a universidade afirmou que as ocupações eram legítimas, pois não havia registros de prejuízo ao patrimônio ou às atividades da instituição até então.

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