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Licitação do transporte em Curitiba foi adulterada, diz delator

Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba Curitiba é um dos municípios na mira da Operação Riquixá. Segundo o delator S..

Narley Resende - 07 de junho de 2017, 08:28

Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba

Curitiba é um dos municípios na mira da Operação Riquixá. Segundo o delator Sacha Reck, as empresas reunidas no Setransp (Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana) tiveram acesso exclusivo ao edital da licitação de 2010 – cujo resultado vale até hoje – durante sua elaboração.

Mesmo após terem quase todas suas “sugestões” rejeitadas pela Urbs, as empresas conseguiram manipular vários pontos do edital conforme seus interesses, diz Reck.

O edital da licitação foi publicado em 29 de dezembro de 2009. Poucos dias antes, segundo Reck, representantes das empresas, da Urbs e da prefeitura já haviam se reunido para acertar condições negociadas entre as partes, o que comprovaria o conluio entre elas.

A combinação entre Setransp e Urbs começou, segundo o delator, já em 2008, quando o então diretor de transporte da Urbs, Fernando Ghignone, teria passado ao empresário Dante Gulin – então vice-presidente do Setransp – informações sobre a futura licitação e recebia “sugestões” por parte das empresas. “Foi constrangedor”, disse Reck sobre uma reunião com troca de informações.

Procurado, o Setransp informou que no momento não vai se manifestar. O advogado Juliano Breda, que defende Dante Gulin, diz que pediu acesso à integra das delações e ainda toma conhecimento do conteúdo. O Metro Jornal procurou Fernando Ghignone, atual presidente da Compagás, por telefone, mas não teve resposta às ligações.

Sacha Reck ressaltou que, apesar das manipulações, não houve ganhos indevidos por parte das empresas com a formulação dos contratos. Também disse não saber de corrupção no processo. “Eu nunca presenciei nenhuma reunião que tratou de propina a qualquer agente público”, disse na delação.

Segundo a promotora Leandra Flores, a investigação na capital acabou de começar. “Sobre Curitiba, temos apenas as declarações do Sacha. Temos que analisar a hipótese que ele narra”, explica.