Motoristas e cobradores definem início da paralisação nesta segunda-feira

Fernando Garcel


O início da greve do transporte coletivo de Curitiba deve ser definido nesta segunda-feira (23). Ainda na madrugada de hoje, os trabalhadores da Viação Mercês, última empresa a ser consultada pelo sindicato da categoria, aprovou o indicativo de paralisação. Por lei, o sindicato deve informar o indicativo de greve com 72 horas de antecedência.

O protesto é motivado pela cobrança de multas, por parte da Urbs, referentes a 2011 e 2012, fato classificado pela categoria como irregular. O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba (Sindimoc) deve também definir um prazo para que a prefeitura e a Urbs desistam das cobranças.

Ao longo dos últimos dias, funcionários dos três consórcios que operam na cidade foram consultados e a decisão de paralisação, em caso de haver a cobrança das multas, foi unânime.

De acordo com a categoria, as multas vão desde penalidades ao motorista que parou o ônibus para ajudar um passageiro desmaiado; condutor que teve o ônibus quebrado por vândalos e até funcionários que não conseguiram evitar invasão em massa ao coletivo. O presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, diz ser inadmissível a cobrança de tais infrações.

“O trabalhador já tem as sanções disciplinares, conforme a CLT. Então entendemos que o pagamento dessas multas são indevidas e, além de tudo, abusivas”, diz Teixeira.

A Urbs, por meio do presidente Roberto Gregório, declarou que a responsabilidade pelas multas é das empresas. No entanto, o Setransp, sindicato patronal, deixou claro que os trabalhadores serão cobrados pelas infrações que cometeram. Ao todo, cerca de R$ 2 milhões devem ser descontados em folha de pagamento referente as multas.

Por outro lado, a Urbs alega que cobra das empresas, e não dos motoristas, e que as punições são por falta de limpeza e problemas nos coletivos, por exemplo. Em nota, o órgão afirma que dos R$ 2,6 milhões em multa, apenas R$ 58,8 mil envolvem os trabalhadores, ou seja, 98% do valor diz respeito exclusivamente as empresas.

Além disso, a Urbs afirma que abriu sindicância para saber por que os valores não foram cobrados não época. Por fim, a prefeitura diz que não pode intervir na relação patronal entre empresas e motoristas, e que os conflitos devem ser mediados na Justiça do Trabalho.

Reunião

A Urbs e o Sindimoc vão se reunir nesta segunda-feira, às 16 horas, para discutir as cobranças indevidas de multas. Depois, o presidente do sindicato deve anunciar o cronograma da greve, protestos prazos para a administração municipal resolver o impasse.

Como é preciso que o sindicato avise sobre greve com 72 horas de antecedência, hoje a greve está descartada.

Com informações da BandNews FM Curitiba

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