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Rainha da parada LGBTI já tentou cinco suicídios; evento espera 40 mil

A 18ª edição da parada LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas intersex) acontece no próximo..

Andreza Rossini - 03 de novembro de 2017, 12:42

A 18ª edição da parada LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas intersex) acontece no próximo domingo (5), em Curitiba, com expectativa de público de 40 mil pessoas, como na última edição.

O tema da parada é "O Que Eu Tenho a Ver Com Isso?" e foi escolhido como forma de provocação social. "A responsabilidade de enfrentar o preconceito e a violência não é só da comunidade LGBTI. A sociedade quando não se cala, quando não denuncia, quando finge que não viu, ela legitima e autoriza. A mão dessas pessoas está tão suja de sangue quanto a dos assassinos", provocou o diretor da Associação Paranaense da Parada da Diversidade (APPAD), Márcio Marins.

Márcio lembrou que o Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTI no mundo. "São cerca de 400 LGBTIs assassinados (as) só em razão de sua orientação sexual e identidade de gênero. Acreditamos que esse número seja muito maior, esses só são os casos notificados, em que as organizações e associações enviam para autoridades", afirmou . "Temos as travestis e transexuais que estão fora do seu estado de origem e são enterradas como indigentes, temos as famílias que têm vergonha de denunciar que seu filho foi assassinado por ser gay ou que suas filhas lésbicas e bissexuais foram estupradas para aprender a gostar de homens", complementou.

Mudança de sexo

No último mês o governo do Paraná anunciou que vai oferecer cirurgia de mudança de sexo no Hospital de Clínicas (HC). 200 pessoas estão na fila para a realização do procedimento. De acordo com a presidente do TransGrupo, Marcela Prado, a decisão foi duramente criticada por parte da sociedade.

"Precisam entender o que os nossos políticos entendem; nós pagamos os nossos impostos. Nós também garantimos a saúde das pessoas desse município, deste estado e deste país com o que pagamos. Não estamos tirando direito de ninguém, isso é um direito nosso que lutamos para ter. É importante entender que se eu quero essa cirurgia porque eu quero, porque eu preciso adequar o meu corpo a minha mente, eu preciso buscar a minha felicidade e me sentir a mulher que eu sou por completo, embora se eu não conseguir a cirurgia não é uma genitália que vai me fazer menos ou mais mulher", afirmou Marcela Prado, presidente do TransGrupo.

"Já morreram 157 travestis e transexuais até o dia de hoje. Nós estamos no dia 03 de novembro, fala-se de feminicídio mas não se inclui as travestis e transexuais", ressaltou a presidente Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (LGBT), Eliana Emérito.

Cura gay

O juiz Waldemar Cláudio de Carvalho concedeu uma liminar que determina que Conselho Federal de Psicologia (CFP) não pode proibir terapia de “reversão sexual” e abre brecha para profissionais tratarem homossexualidade como doença. O tratamento é proibido pelo CFP desde 1999.

"Não há cura para o que é doença. As pessoas estão preocupadas em saber com quem as pessoas estão se relacionando, em quem elas estão amando ao invés de se preocupar com políticas públicas. Olha o tamanho da fila do SUS", afirmou o cantor Siamese que vai lançar música no evento de domingo.

Segundo o magistrado, psicólogos se encontram impedidos de fazer atendimento clínico ou promover estudos científicos acerca da reversão sexual, o que afeta, segundo ele, “os eventuais interessados nesse tipo de assistência psicológica”.

O CFP emitiu uma nota em que rechaça a decisão judicial e informa que vai recorrer da liminar, “lutando em todas as instâncias possíveis”.