camara municipal
Compartilhar

Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba denuncia abate de tartarugas ao MPPR

Redação com BandNews FMA Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba denunciou ao Ministério Público do Paraná (MPPR) o ..

Fernando Garcel - 18 de julho de 2017, 14:30

Redação com BandNews FM

A Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba denunciou ao Ministério Público do Paraná (MPPR) o abate de 72 tartarugas que estavam no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas). A eutanásia foi autorizada pelo Ibama há cerca de duas semanas porque o espaço, que era gerenciado e mantido pela PUC Paraná havia 17 anos, foi fechado no fim de junho.

Paraná fecha centro de triagem e 72 animais são sacrificados

Os animais faziam parte de um grupo de quase 300 indivíduos que estavam abrigados no local. Cerca de 200 desses bichos acabaram encaminhados a instituições conveniadas ao Ibama, mas em relação às tartarugas, isso não seria possível porque elas pertenciam a uma espécie não nativa. Além de denunciar o caso ao MP, a Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba procurou a Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

"Além da questão do destino das tartarugas que a gente não teve confirmação se elas foram mortas, ou não, ainda tem outros animais que precisavam de encaminhamento. A gente se preocupa muito com essa situação. A gente já tinha ouvido sobre o fechamento do Cetas. Sabia que a questão estava com o Ministério Público, mas até o momento não havia nenhuma situação que pudesse causar preocupação com o cuidado que os animais estavam recebendo", declarou a presidente da entidade, Soraya Simon.

Animais silvestres resgatados ganham guardiões no Paraná

Polícia ambiental apreende animais silvestres vítimas de maus-tratos

As tartarugas eram da espécie Orelha Vermelha, endêmica dos Estados Unidos e considerada invasora no Brasil. Por essa razão, os animais não poderiam ser soltos na natureza, de acordo com a diretora de Licenciamentos Especiais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Edilaine Vieira. Ela afirma ainda que o IAP deve assumir o Centro de Triagem, mas que ainda não há previsão de quando isso deve acontecer. "Essa tratativa ainda está em andamento. Não existe ainda nenhum documento da parte do Ibama recebendo essa estrutura. Não existe um convenio entre Ibama e IAP transpassando a estrutura para o IAP. São tratativas que estão bem adiantadas, mas ainda são tratativas", declarou Edilaine Vieira.

A PUC prestava o serviço voluntariamente por meio de um termo de cooperação técnico-científico firmado com o Ibama desde 1999. O documento previa um prazo de atuação até março deste ano e a PUC argumenta, em nota, que o vínculo com o Cetas não foi estendido por não se tratar de uma atividade relacionada diretamente ao foco da instituição. Além disso, pela atribuição legal, esse tipo de trabalho deve ser desenvolvido pelo Poder Público.

Animais silvestres que sofreram maus tratos ganham novos lares no Paraná

Soraya enfatiza, no entanto, que não se pode simplesmente eliminar os animais que foram trazidos ao Brasil pelas mãos do homem. "A gente chama algumas espécies de invasoras, mas essas espécies foram trazidas pelo homem. A maior parte por comércio legal e ilegal. A partir do momento em que ela se torna um problema, a solução mais fácil é o abate", declarou. Ela também critica a autorização do Ibama sobre o abate dos animais. "A partir do momento em que elas estão aqui, elas são protegidas pela mesma legislação que os outros animais. O mínimo é deixar esses animais em segurança e encaminhar esse animais, preserva-los, e não não simplesmente matar. Pra nós, se o Ibama concedeu uma autorização para que elas fossem mortas... Pra gente não vale nada", afirmou Soraya.

Outro lado

O Ibama argumenta que a eutanásia foi autorizada porque a legislação do IAP proíbe o transporte, doação, soltura ou criação de animais silvestres invasores. A BandNews tentou uma entrevista com o superintendente regional do órgão, mas a informação é a de que ele está em uma viagem e só retorna na próxima semana.

A PUC ressalta que todos os procedimentos de encaminhamento dos animais e de eutanásia respeitaram princípios clínicos, éticos, legais e regulamentares vigentes. E o IAP aguarda um relatório detalhado sobre o destino de todos os bichos que estavam no Cetas.