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Christiane Yared considera justa a pena de Carli Filho e não vai recorrer

O assistente de acusação e advogado da família Yared, Elias Mattar Assad, afirmou em coletiva de imprensa na manhã desta..

Andreza Rossini - 01 de março de 2018, 12:51

O assistente de acusação e advogado da família Yared, Elias Mattar Assad, afirmou em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (1) que não vai recorrer da decisão do Tribunal do Júri que condenou o ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho a nove anos e quatro meses de prisão, em regime inicial fechado, por duplo homicídio com dolo eventual - quando se assume o risco de matar.

"Estamos satisfeitos com a pena. Entendemos que seguiu as regras das dosimetrias adotadas pelo direito. Alguns dizem que ela foi reduzida, mas não foi. Não foi um crime intencional, foi um dolo eventual e existe uma linha tênue entre eles. O juiz foi de uma firmeza e de uma felicidade muito grande", afirmou o advogado.

O Ministério Público pode recorrer à 1ª Câmara criminal do Tribunal de Justiça do Paraná e pedir o aumento de pena, assim como a defesa de Carli Filho pode recorrer e pedir a redução. A decisão do Tribunal do Júri é soberana e o tipo de crime, definido como duplo homicídio com dolo eventual não pode ser alterada por outras instâncias.

A deputada federal Christiane Yared, mãe de Gilmar Yared, vítima fatal da colisão envolvendo o ex-deputado, afirmou que não ficou aliviada com a decisão do júri. "Eu sei que hoje terão quase 200 mães chorando seus filhos mortos no trânsito. Como eu posso estar feliz? É uma luta que não tem fim, o que nós podemos fazer é reduzir isso", afirmou.

A respeito da discussão com a família de Carli, Yared afirmou que o ex-deputado já foi perdoado por ela. "Foram quase nove anos de uma luta gigantesca, lógico que para a família é tudo muito dolorido. Eu já perdoei o Carli Filho, e ele já sabe disso, porque eu já tinha dito em outras ocasiões. Esse peso eu não vou levar comigo, eu já tenho o peso da minha sentença", afirmou se referindo à morte do filho.

"O que nós pedimos e não é uma questão de vingança, não vamos recorrer para que ele fique mais tempo. Queremos que a sociedade compreenda que não são crimes culposos . As pessoas sabem que não pode beber e dirigir. A conquista de ontem é para uma nação, a luta não para aqui", disse.

A coletiva foi convocada um dia após Carli Filho ser condenado a 9 anos e quatro meses de prisão em regime inicial fechado, por duplo homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar, em júri popular. No momento da colisão, que matou Gilmar Yared e Murilo Almeida, em maio de 2009,o ex-deputado estava com a habilitação cassada, dirigia embriagado e em alta velocidade.

Apesar de a sentença ordenar pena em regime fechado, o ex-deputado poderá recorrer em liberdade por não oferecer risco de fuga, ter endereço fixo e por não ter outras infrações penais. No entanto, a possibilidade de recursos em uma condenação por júri popular é bem mais restrita.

Relembre

O julgamento do ex-deputado ocorre após nove anos do acidente. Nesse tempo, a defesa de Carli Filho apresentou mais de 30 recursos na Justiça. O julgamento foi marcado e adiado mais de uma vez enquanto os advogados buscavam que ele respondesse por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, nas instâncias superiores do Judiciário.