Defesa afirma que não há mais motivos para manter Lula preso nem mais uma hora sequer

Francielly Azevedo, Ana Cláudia Freire e Vinicius Cordeiro

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O advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins, disse em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (08), que não há mais motivos para manter o ex-presidente Lula preso, nem mesmo por uma hora sequer.

“Pedimos que haja a expedição imediata do alvará de soltura porque que não há  respaldo jurídico, nunca houve, para manter o ex-presidente Lula preso uma hora sequer, sobretudo após o julgamento de ontem da Suprema Corte, não existe nada que possa mantê-lo encarcerado”. O advogado disse que ainda que espera celeridade no atendimento do pedido encaminhado para juíza Carolina Lebbos.

Zanin afirmou ainda que o ex-presidente está sereno e que a decisão do STF deu a ele uma esperança que se possa fazer justiça. Indagado sobre como seria a possível saída de Lula, a defesa disse que o foco agora é dar celeridade ao processo de soltura. Ainda segundo Zanin, a defesa aguarda os desdobramentos de maneira confiante e o próximo passo seria a declaração nulidade total do processo. “Os próximos passos sejam dados notadamente a declaração de nulidade de todo o processo  a partir do reconhecimento de suspensão do juiz Sérgio Moro”, afirmou.

A defesa chegou na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, por volta das 10h  e se reuniu com o petista para falar sobre a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que derrubou a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância.

Zanin entrou na PF sem conversar com a imprensa, mas respondeu com um aceno positivo aos apoiadores do ex-presidente quando foi perguntando por um deles se Lula sai ou não sai nesta sexta-feira. Cerca de 250 apoiadores de Lula estão no terreno da chamada “Vigília Lula Livre”, bem em frente à PF.

Zanin chegou pouco depois da presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann. Ontem completou um ano e sete meses que Lula está preso em Curitiba.

PEDIDO DE SOLTURA

Na noite de ontem (7), por meio de nota, ele e a advogada Valeska Martins afirmaram que após o encontro com Lula fariam o pedido para que haja a imediata soltura do ex-presidente.

Os presos não são soltos imediatamente após a decisão do STF. Cabe a defesa de cada um fazer o pedido pela ordem de soltura junto ao juízo.

Os defensores também afirmaram que a decisão do STF reforça que a prisão de Lula foi injusta e incompatível com a Constituição.

DECISÃO DO STF

Por 6 votos a 5, o STF decidiu, nesta quinta-feira (7), contra a execução provisória de pena de prisão após condenação em segunda instância. O novo entendimento afeta quase cinco mil presos, de acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça. Entre eles, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo um levantamento do MPF (Ministério Público Federal), a mudança de entendimento do STF contempla 38 condenados em segunda instância no âmbito da Operação Lava Jato. O ex-ministro José Dirceu e ex-executivos de empreiteiras são alguns deles.

NAMORADA DE LULA COMEMORA

namorada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Rosângela da Silva, conhecida como Janja, comemorou a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal). “Amanhã vou te buscar! Me espera!!”, escreveu Janja no Twitter.

Na publicação, a socióloga também usou as hashtags #onossoamorvencera #oamornosaproxima #teamoprasempre

LULA: PRESO HÁ 580 DIAS

Luiz Inácio Lula da Silva foi preso no dia 7 de abril de 2018 e cumpre pena na Superintedência da PF em Curitiba.

Ele foi condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso triplex do Guarujá (SP).

A primeira condenação foi feita pelo ex-juiz federal Sergio Moro, hoje ministro da Justiça, e a pena fixada foi de 9 anos e 6 meses de prisão. Depois, o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) aumentou a punição para 12 anos e 10 meses.

Por fim, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) fixou a pena em 8 anos e 10 meses.

Imóvel de Paulo Preto no Guarujá equivale a pelo menos três ‘triplex do Lula’, diz laudo.

No caso triplex, o ex-presidente foi acusado pela Operação Lava Jato de receber propina da OAS por meio da construção e reforma de um apartamento no Edifício Solaris, no Guarujá.

Ao todo, a suposta vantagem chegava a R$ 2,2 milhões e teria saído de uma das contas de propina destinada ao PT.

Em contrapartida, Lula teria agido para favorecer a OAS em contratos com a Petrobras.Além disso, Lula também já foi condenado, em primeira instância, em uma ação penal que tratava sobre propinas pagas por meio de reformas de melhoria em um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.