Disputa nacional ofusca candidatos nos estados

Thiago Machado - Metro Curitiba

A alta voltagem na disputa entre os candidatos à presidência está fazendo com que os eleitores venham deixando de lado os temas locais. Na dúvida sobre quem escolher em uma campanha polarizada entre os opostos Jair Bolsonaro (PSL) e o PT de Fernando Haddad, o eleitorado está deixando cada vez mais para última hora a escolha dos outros nomes.

Segundo o cientista político da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Emerson Cervi, apesar de historicamente a decisão de todos votos ficar mesmo para a última semana, neste ano o encurtamento da campanha e a situação da candidatura do PT trouxeram novas variáveis. “A eleição deste ano é extraordinária especialmente por causa do Lula. Nunca nós tivemos uma troca de candidato tão perto da data de voto e com possibilidade de ir para o segundo turno”, diz.

Segundo Cervi, uma parte do eleitorado, preocupado com a campanha nacional, pode deixar sim para a última hora a decisão do voto ao governo. Ele alerta, no entanto, que o alheamento dos eleitores foi deliberado pela classe política: especialmente criando os privilégios e o encurtamento da campanha. “Isso foi muito ruim, porque desconectou o eleitor da política. Mas foi uma escolha feita para isso mesmo, dificultar a chegada dos novos. Hoje só perde uma reeleição quem é muito ruim”, diz.

Não-votos

Nacionalmente, a polarização fez com que, de forma inédita na terceira semana de setembro de um ano eleitoral, as pesquisas venham registrando uma incerteza acima dos 10% entre os brasileiros. Os dados da série histórica do Datafolha mostram que o número, hoje, daqueles que falam em votar nulo e branco é de 12%. Um índice semelhante só foi registrado em 1998, quando nesta época do ano o instituto apontou que 15% dos eleitores ainda não tinham escolhido candidato. Naquele ano, no entanto, a metodologia do instituto computou juntos os indecisos com os “sem candidato”.

Em 1998 o panorama eleitoral também era bem diverso. Era a primeira disputa com possibilidade de reeleição, e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) quase não foi ameaçado do início ao fim da campanha.

Nulos em queda

Apesar do intenso noticiário negativo sobre a política, os brasileiros que deixaram de votar vêm caindo. A partir de 2000, quando as urnas eletrônicas chegaram a todos municípios, o número de votos brancos ou nulos foi reduzido expressivamente.

Em 1994 e 1998, a duas semanas da eleição, as pesquisas apontavam índices mais baixos de intenções de votos brancos e nulos, mas eles chegaram em 18,7% e 19%, respectivamente. A partir daquela data, com a urna eletrônica e menos erros dos eleitores, os não-votos nunca ficaram acima dos 10%, nas candidaturas à presidência.

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