Bombeiro paranaense relata desafios do trabalho de resgate em Brumadinho

Francielly Azevedo e Lucian Pichetti - CBN Curitiba


A lama que devastou Brumadinho, em Minas Gerais, também deixou marcas nas vidas de bombeiros paranaenses. Ao todo, nove integrantes do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST) do Corpo de Bombeiros do Paraná, além de dois pilotos do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA), um cinegrafista e um mecânico foram enviados para ajudar no socorro às vítimas do rompimento da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão.

Três bombeiros retornaram de Brumadinho nesta semana. Em 10 dias de trabalho, eles ajudaram no resgate de 10 corpos.

O tenente Luiz Henrique Vojciechovski, do GOST, contou para reportagem da Rádio CBN Curitiba que os profissionais enviados foram escolhidos por terem experiência em situações de deslizamento, mas que eles nunca tinham visto cenário parecido com o de Brumadinho.

“É bastante difícil. A gente está acostumado com ocorrência de deslizamentos, que as características acabam sendo semelhantes. A lama molhada e bastante poluída tava oferecendo bastante resistência ao deslocamento”, comentou.

Além dos profissionais, uma aeronave paranaense também foi encaminhada. O tenente conta que o acesso ao terreno trabalhado era possível apenas pelo ar, já que o local estava completamente comprometido.

“Nós tripulávamos aeronaves que nos deixavam em pontos específicos. Ou para fazer recolhimento de corpos e segmentos ou verificações e buscas na superfície. As aeronaves nos deixavam em locais de difícil acesso e que não tinha outra forma para chegar. No terreno, tinham lugares mais secos, mas no início das operações acabavam oferecendo bastante risco e dificuldade para que a gente pudesse fazer mesmo o deslocamento do corpo”, diz.

No meio na lama, com auxílio de galhos para não afundarem, os bombeiros se arrastavam em busca de corpos e vítimas ainda com vida. Vojciechovski explica que existiam algumas maneiras de operação dentro do treinamento especializado da equipe.

“Quando uma aeronave visualizava algum ponto evidente, fazia a marcação do ponto com as coordenadas do GPS e encaminhava uma equipe para que fizesse o preparo e recolhimento desse corpo. Outra possibilidade são os pontos de interesse, onde as aeronaves faziam buscas e identificavam locais de maior probabilidade de encontrar vítimas. Nesses locais, nós éramos deixados no terreno para que fizéssemos a verificação visual lá debaixo. Muitas vezes não se tinha a percepção total do ambiente da aeronave”, revelou.

Até a tarde desta quinta-feira (7), o último boletim divulgado pela Defesa Civil de Minas Gerais apontava 150 mortos e outras 182 pessoas desaparecidas. A dor das famílias e a consternação que tomou conta da cidade tornaram o trabalho dos Bombeiros ainda mais difícil no que diz respeito ao lado psicológico. Segundo o tenente, embora preparados, foi impossível ficar alheio a uma tragédia como essa.

“Pessoalmente, nos faz refletir bastante sobre a vida e todas aquelas pessoas que estavam lá naquele momento e perderam suas vidas de forma tão violenta e rápida”, completou.

Seis bombeiros, dois pilotos e a equipe de suporte para aeronave continuam em Brumadinho auxiliando nas buscas. Eles seguem protocolos internacionais de salvamento. Os bombeiros que retornaram, esperam para saber se precisarão voltar para a segunda parte da missão.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.