Gleisi e Wagner visitam Lula e falam de economia

Roger Pereira


Após negociação com a Justiça e com a Polícia Federal, a senadora Gleisi Hoffmann (PT) e o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT) visitaram na tarde desta quinta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na sala em que ele está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Após o acerto, ficou estabelecido que, além dos familiares, Lula poderá receber, por uma hora, dois amigos, previamente indicados à PF. “Lamento muito a gente ter que dividir com a família, tirando horário dos filhos e neto dele. Foi uma negociação, duas pessoas por quinta-feira”, explicou Gleisi.

Presidente do PT a senadora disse que a indignação de Lula com a condenação e as estratégias processuais para tentar tirá-lo da prisão ficaram em segundo plano na conversa, que, segundo ela, tratou de economia e do plano de governo da candidatura de Lula à presidência da República. “Conseguimos visitar e o presidente está preocupado com o Brasil. Se diz desconjurado com a situação da economia. Não pode acreditar que chegamos a tal ponto. Como justifica um país que gerou 20 milhões de empregos formais ter hoje 123 milhões de desempregados. O salário mínimo sendo reajustado abaixo da inflação, a estagnação do PIB”, disse Gleisi. “Eles não diziam que ia melhorar a economia com a saída da Dilma? Como justificam o crescimento da dívida pública. Não eram eles que iam consertar o Brasil?”, indagou.

Questionada sobre como avalia as condições em que Lula está acomodado na PF, Gleisi não reclamou, mas afirmou que “o problema é que ele não devia estar onde está, não se trata da condição do local. Lula é grande demais para estar preso. É a grande liderança política deste país, ele devia estar nas ruas. Um país que está vivendo uma situação dessas, que tirou a Dilma do poder, encarcera o Lula e apresenta esses índices de desenvolvimento. Ele não devia estar onde está. Essa é a grande injustiça”, disse.

Gleisi, que ficou por 45 minutos com o ex-presidente, disse que Lula afirmou que tem lido muito e analisado os governos anteriores do PT e as propostas do partido para esta eleição. “Ele também se mostrou abalado com o desabamento em São Paulo e pediu para focarmos nosso plano de governo na questão habitacional”, contou.

Jaques Wagner, que visitou Lula logo após Gleisi, contou que o ex-presidente segue indignado “por ter sido condenado sem provas”. “Ele é, basicamente, um homem indignado com a injustiça e, ao mesmo tempo, preocupado em relação a situação brasileira. Ele é apaixonado por gente, não é apaixonado por patrimônio e ver gente voltar a sofrer com o desemprego, voltar a ter fome o machuca profundamente”, disse.

Wagner afirmou que não discutiu com Lula alternativas à sua candidatura, nem possível aliança com Ciro Gomes (PDT) “A esperança dos brasileiros está enjaulada em um quarto na Polícia Federal”. Cadê os outros candidatos? Aqueles que nos atacaram tanto têm o que para apresentar ao povo brasileiro?”, questionou.

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Repórter do Paraná Portal
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