Golpe do WhatsApp: saiba o que fazer para não ser uma vítima

Ana Cláudia Freire

WhatsApp golpe curitiba

Depois do famoso golpe do motoboy, aonde bandidos convencem clientes de operadoras de cartão de crédito que seus cartões foram clonados e que é necessário entregá-lo para um motoboy, supostamente ligado à instituição financeira, um golpe ainda mais sofisticado tem feito várias vítimas no Paraná.

Agora, estelionatários acessam o aplicativo de conversas da vítima e disparam pedidos de depósitos em dinheiro para a lista de contatos – é o golpe do WhatsApp.

O NUCIBER (Núcleo de Combate aos Cibercrimes da Polícia Civil do Paraná), recebe dezenas de denúncias por dia de clientes que foram vítimas desse tipo golpe.

É tudo tão bem elaborado que a vítima entrega seus dados aos estelionatários, sem a menor desconfiança. Um ponto em comum que liga as vítimas é que todas elas fizeram algum anúncio em plataformas de vendas pela internet.

O GOLPE

Primeiro a vítima faz um anúncio em um site de compra e venda na internet. Assim que ela posta as informações do produto que quer vender, com os seus dados pessoais como nome e telefone, a quadrilha imediatamente faz o contato, através do telefone anunciado.

O golpe é tão organizado que fica fácil convencer a vítima de que trata de um funcionário da plataforma de anúncios, informando os dados da venda. É nesse momento que os bandidos convencem o anunciante do produto que é necessário acessar um código que será enviado por SMS para validar o anúncio.

A quadrilha passa então a ter total controle do aplicativo de WhatsApp registrado no número do celular da vítima, que fica sem o acesso.

Os criminosos disparam mensagem para os contatos registrados no celular, geralmente parentes e amigos próximos, pedindo o depósito de um valor em dinheiro a fim de atender uma emergência.

VÍTIMAS

Foi exatamente o que aconteceu com o consultor de carreiras, Cassiano Marcelus Ferreira. Minutos depois da publicação do anúncio da venda de um carro, em uma plataforma de compra e venda de veículos, a quadrilha entrou em contato, com todas as informações relacionadas ao carro e a postagem do consultor.

Se passando por um funcionário da plataforma, o estelionatário pediu para que ele validasse o código de verificação enviado por SMS e assim confirmar anúncio no site. Sem desconfiar de nada, Cassiano fez a verificação e perdeu o acesso ao WhatsApp logo em seguida.

“Foram apenas dois minutos entre a postagem e o telefonema. Deveriam estar monitorando já. Recebi o SMS, ainda falando ao telefone sobre a validação do anúncio. Assim que acessei o código, o WhatsApp perdeu a conexão. Quando fui ler a mensagem com calma percebi que vinha do próprio aplicativo. Foi só aí que entendi que havia caído em um golpe”, conta o consultor.

ALERTA

Para o delegado aposentado e agora consultor na área de crimes digitais, Demétrius Gonzaga de Oliveira, os criminosos  passam boa parte do tempo garimpando anúncios de potenciais vítimas.

O consultor que já foi o delegado-chefe do NUCIBER, faz o alerta: “Nunca responda mensagens que solicitem verificação de códigos por SMS e desconfie sempre desse tipo de pedido quando você mesmo não fez nenhuma solicitação”.

Demétrius explica ainda que esse tipo de fraude pode ser evitada com o simples processo de dupla checagem disponível nas configurações do WhatsApp.

Para saber como funciona a verificação de conta em duas etapas do WhatsApp clique aqui.

O especialista orienta que as vítimas busquem imediatamente uma delegacia para o registro do boletim de ocorrência além de alertar por outros canais do ocorrido. “Quanto mais rápido a pessoa informar à sua rede de contatos de que o WhatsApp está nas mãos de bandidos, maiores as chances da quadrilha não conseguir receber os depósitos”, explica Demétrius.

Um dos amigos do consultor combina com a quadrilha o suposto depósito

Assim que entendeu o golpe, o consultor Cassiano avisou seus contatos pelas redes sociais. Ele conta que vários amigos começaram a ligar pra saber o motivo do pedido de dinheiro. Um dos amigos do consultor chegou a conversar com a quadrilha e a combinar o pagamento. “Meus amigos começaram a me ligar pra entender o que estava acontecendo e por sorte ninguém fez o depósito”, desabafa.

Para a diretora do Procon-PR, Cláudia Silvano, é preciso investir em informação. “É muito importante que antes de qualquer negociação de compra e venda pela internet, o consumidor fique atento às informações de fraudes nas próprias páginas que fazem  intermediação desse tipo de negócio”. Sempre que o consumidor se sentir lesado pode buscar orientações no Procon da sua cidade ou pela plataforma www.consumidor.gov.br.

Demétrius explica ainda que além do boletim de ocorrência, a vítima precisa entrar em contato com o aplicativo e solicitar o bloqueio da conta. Geralmente o WhatsApp  exige uma prazo de 7 dias para reconfigurar a conta e liberar novamente o aplicativo para o usuário. A reportagem do Paraná Portal fez contado com a empresa do aplicativo, mas até o fechamento da matéria, não obteve resposta.

Além disso é importante acionar a operadora do celular e autoridades de proteção ao consumidor, bem como bancos e instituições financeiras. Quanto mais dados referente à origem da quadrilha e ao destino dos depósitos, mas rapidamente as investigações podem alcançar os criminosos.

 

 

 

Previous ArticleNext Article
Avatar
Jornalista - Chefe de Redação do Paraná Portal