Moro vê indícios de atuação de Deonilson Roldo na campanha de Richa ao Senado

Cristina Seciuk - CBN Curitiba

No despacho em que autorizou a prisão de Deonilson Roldo na nova fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta terça (11), o juiz federal Sérgio Moro afirma que existem indícios de envolvimento do ex-chefe de gabinete de Beto Richa na atual campanha do tucano ao Senado.

O magistrado destacou trechos da análise das interceptações telefônicas de investigados feita pela autoridade policial. Em aspas retiradas do relatório diz-se que “Deonilson Roldo aparentemente coordena a campanha de Beto Richa para o Senado Federal e diz que está em período de quarentena, que não pode aparecer, mas que atua nos bastidores, conforme demonstrado pelas chamadas telefônicas a seguir”.

Ainda nesse sentido, Moro transcreve para o despacho uma síntese feita pela PF: “DEONILSON ROLDO é homem de confiança de CARLOS ALBERTO RICHA, sendo o coordenador de todos os assuntos referentes à campanha de BETO RICHA ao Senado Federal, tendo participação na articulação política, definição de material de campanha como músicas e jingles, sessões de fotos, agendamento de eventos e aconselhamento de modo geral, sendo consultado por BETO RICHA em várias ocasiões. DEONILSON ROLDO propositalmente está mantendo velada sua cooperação com BETO RICHA devido à investigação em curso sobre o recebimento de valores da ODEBRECHT, que já é de público conhecimento através da imprensa.”

Levando em consideração essa análise feita pela autoridade policial, o juiz Sérgio Moro reforça no despacho que os crimes em apuração teriam sido praticados durante campanha, com a obtenção de propina a pretexto de doação eleitoral. Por isso, Moro escreve que “Deonilson Roldo tem, no presente momento, similares oportunidades para persistir na arrecadação de recursos ilícitos, no caso mediante promessas futuras, sem olvidar o risco (…) de utilizar recursos ilícitos guardados para despesas atuais de campanha”.

De acordo com as investigações, o Grupo Odebrecht teria realizado, no primeiro semestre de 2014, um acerto de corrupção com o então Chefe de Gabinete do ex-governador. O acordo seria para que Roldo agisse de modo a limitar a concorrência da licitação para duplicação da PR 323, favorecendo o Grupo Odebrecht que tinha interesse na obra. Em contrapartida, o aliado do tucano receberia R$ 4 milhões. Desse total, ao menos R$ 3,5 milhões teriam de fato sido pagos, conforme lançamentos registrados no sistema de contabilidade informal da Odebrecht, pagamentos esses feitos pelo setor de operações estruturadas da empreiteira.

Conforme Moro, os fatos caracterizam corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.

O advogado de Deonilson Roldo afirmou que a prisão é equivocada e injusta.

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