Obstrução da Justiça justifica pedidos de prisão, diz coordenador do Gaeco sobre Rádio Patrulha

Roger Pereira e Francielly Azevedo - CBN Curitiba


O coordenador do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organziado (Gaeco) do Paraná, Leonir Batisti afirmou, nesta terça-feira, após apresentar denúncia contra o ex-governador Beto Richa (PSDB) e outros 12 investigados na Operação Rádio Patrulha, que os pedidos de prisão preventiva contra Richa e os demais investigados basearam-se nos indícios de obstrução da Justiça. Batisti explicou, contudo que, nesta primeira denúncia, o Ministério Público concentrou-se nas apurações sobre corrupção e fraude em licitação, mas que outra denúncia será apresentada em breve.

“Ainda não conseguimos concluir todas as apurações. Estamos agindo de uma forma bastante prudente. Concluímos a denúncia em relação àqueles fatos que já obtivemos evidências. Evidências fortes a ponto de nos levar a oferecer denúncia. Cabe à Justiça condenar ou absolver. Vamos continuar a apuração dos crimes de obstrução de justiça, lavagem de dinheiro, um aprofundamento nas investigações sobre organização criminosa e, até, de falsidade documental”, disse.

Batisti criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que determinou, na semana passada, a soltura de todos os investigados presos, por considerar que a prisão infringiu a proibição da condução coercitiva, determinada pelo STF. “A forma como foi feita é absolutamente contrária a qualquer lógica do sistema jurídico criminal brasileiro. É a isso que o MP se opõe e está recorrendo em benefício de todo o sistema jurídico brasileiro. Temos um código de processo penal para seguir, temos lei para seguir, e é o que tentamos fazer. Respeitamos as decisões, mas sentimos que a quela situação foi mal conduzida na forma e, por isso, os recursos estão lá postos”, disse, para depois explicar as prisões. “Evidenciamos uma obstrução de justiça e, por isso, tínhamos embasamento para os pedidos de prisão”.

Para formular a denúncia apresentada nesta terça-feira, Batisti diz que o MP baseou-se em diversos elementos probatórios, como as declarações do colaborador Tony Garcia, o assentimento de dois empresários presos temporariamente, gravações de conversas dos envolvidos e a apreensão de uma caderneta, com um dos empresários, com nomes e valores de propinas pagas. “Tudo leva a essa mesma conclusão, de que houve um acordo para que houvesse essa licitação, num esquema coletivo para obtenção de valores pagos pelos empresários: dinheiro saído do Estado que retornam ao núcleo do governo, tendo como principal beneficiário o então governador”, disse, citando haver prova do pagamento de R$ 1 milhão, em propina, embora a denúncia aponte que R$ 8 milhões podem ter sido arrecadados pelo núcleo do governo Richa.

Batisti voltou a ser questionado por apresentar a denúncia no período eleitoral (Beto Richa é candidato ao Senado); “É uma questão que nunca vamos chegar à conclusão. Resolvemos agir de acordo com a consciência e conhecimento de direito. E, tendo em vista até que os fatos que causaram maior celeuma foi a prisão dessas pessoas, o que já foi discutido, concluímos que, uma vez pronta, deveríamos seguir e oferecer a denúncia”, afirmou.

OUTRO LADO

Em nota, a defesa de Richa disse que “a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado do Paraná (MPE-PR) contra o ex-governador Beto Richa, assim como a prisão temporária decretada no dia 11 de setembro, é baseada única e exclusivamente em termos de depoimento de colaborador premiado já conhecido do Poder Judiciário paranaense, sem qualquer base em provas de suas falaciosas alegações. Ainda mais grave, sem a mínima diligência investigativa por parte do próprio MPE-PR ou da Polícia Civil para fins de verificar as ilações feitas pelo delator. Contudo, permanece a confiança na Justiça, que, em tempo certo, reestabelecerá a verdade e a honra da família Richa”, diz a nota.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal