Denúncia poupa Beto Richa, mas MP quer seguir investigando

Roger Pereira


Apesar de ter denunciado seu chefe de gabinete, Deonilson Roldo, e apontar outro denunciado, o empresário Jorge Atherino, como seu operador, o Ministério Público Federal poupou o ex-governador Beto Richa (PSDB) da denúncia apresentada nesta quarta-feira, no âmbito da Operação Lava Jato, relativa à investigação sobre o pagamento de propina pela Odebrecht para favores ilegais relacionados à Parceria Público Privada (PPP) para exploração e duplicação da PR-323, entre os municípios de Francisco Alves e Maringá, no noroeste do estado, durante o ano de 2014, cujo valor era de R$ 7,2 bilhões. O MPF diz que segue investigando a participação de Richa nos crimes denunciados.

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Além de envolver pessoas de denunciar pessoas do relacionamento direto do ex-governador e de apontar que a propina cobrada foi destina à campanha de reeleição do então governador, em 2014, o Ministério Público Federal também cita, na peça acusatória, toda a tramitação processual do inquérito, por envolver Richa.

O caso tramitava no Superior Tribunal de Justiça, por conta do foro privilegiado do governador. Com sua renúncia, em abril, o caso “desceu” para a 13ª Vara Federal de Curitiba. Na sequência, por ação da defesa de Richa, a investigação foi transferida para a Justiça Eleitoral, mas, posteriormente voltou à Justiça Federal pelo entendimento de que não tratava-se apenas de caixa 2 eleitoral.

Com toda essa explicação e com os elementos apontados na denúncia, como a delação do ex-diretor do DER Nelson Leal Júnior, causou estranheza a ausência de Beto Richa entre os denunciados. Procurado, o MPF informou que segue investigando o ex-governador e citou trecho da denúncia para demonstrar a situação de Richa neste caso. “Requer ainda a continuidade das investigações no mesmo IPL para apurar com maior precisão a conduta de outros investigados que não foram, na presente oportunidade, denunciados. Também, a continuidade das investigações segue para esclarecimento de outros crimes antecedentes ainda não esclarecidos por completo”, escreveram os promotores na peça acusatória.

Em nota, a defesa de Beto Richa negou as acusações, que classificou estar baseada em princípios ilegais, tendo como único fundamento a delação de um criminoso.

Confira a íntegra da nota:

“A defesa do ex-governador entende que as alegações do Ministério Público Federal não apresentam qualquer sustentação. O ex-governador sempre pautou suas ações baseado nos princípios legais.

A obra de duplicação da rodovia PR-323 nunca aconteceu. Também nenhum recurso público, de origem federal ou estadual, foi aportado na licitação. Não houve também qualquer direcionamento em licitação. Tanto é assim que a Corte Especial do STJ decidiu de forma unânime que tal investigação deva ocorrer na Justiça Eleitoral, na qual será comprovada, sem sombra de dúvidas, a lisura dos atos do ex-governador.

Infelizmente, tornou-se comum delatores apresentarem falsas afirmações na tentativa de se verem livres das penas que, certamente, serão condenados pelos graves crimes praticados”.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal