Manvailer teria que ter a força de um guindaste para arremessar Tatiane Spitzner, diz defesa

Fernando Garcel

A defesa de Luis Felipe Manvailer protocolou na noite de ontem (13) as alegações finais do processo em que é acusado de matar a própria esposa, a advogada Tatiane Spitzner, e arremessá-la do quarto andar do prédio em que moravam em Guarapuava, na região central do Paraná. De acordo com os advogados, o réu teria que “ter a força de um guindaste” para arremessar o corpo da vítima já morta do parapeito do edifício. Por fim, a defesa também pediu que o réu seja absolvido das acusações de fraude processual e cárcere privado, além de não ser levado a júri popular.

Ministério Público pede júri popular para Manvailer

Foto: Reprodução

Para a defesa, seria impossível que o Luis Felipe Manvailer tivesse força para lançar o corpo de Tatiane, inerte e sem vida, com 62 quilos, sobre o parapeito de pouco mais de um metro e vinte centímetros de altura a uma distância de quase quatro metros. O argumento é que o peso de um corpo morto adquire o efeito conhecido como “boneco de pano”.

“E se levantar um corpo ‘inerte e sem vida’ de 62 kg é difícil; se içar um corpo ‘inerte e sem vida’ de 62 kg a uma altura de 1m23cm é improvável; arremessar um corpo ‘inerte e sem vida’ de 62 kg a uma distância de 3,78m, por cima de um parapeito de 1m23cm, é absolutamente impossível! A física não permite. Luis Felipe teria que ter a força de um guindaste! [sic]”, argumenta a defesa.


Câmeras flagraram agressões de Luis Felipe contra a esposa momento antes da morte de Tatiane

A defesa também usou a dificuldade da reprodução simulada para sustentar o argumento sobre a força que seria necessária. Na simulação da perícia, três homens foram necessários para levantar o boneco por sobre o parapeito da sacada. O resultado também apontou que o corpo cairia perpendicular a sacada do apartamento, atingindo a a sacada do apartamento do primeiro andar, porque se trata de uma sacada sobressalente, e não a calçada.

Foto: Reprodução

Acusação

Nas alegações finais, o Ministério Público do Paraná pede que Manvailer seja levado a júri popular e que a prisão preventiva do réu seja mantida já que não houve modificação das circunstâncias que levaram a decretação da custódia.

De acordo com a denúncia, Luis Felipe matou a esposa após diversas agressões físicas que teriam iniciado após um desentendimento ocorrido em virtude de mensagens em redes sociais, agindo por motivo fútil e desproporcional.

O réu foi interrogado em março deste ano, mas durante a audiência optou por permanecer em silêncio. Manvailer fez apenas uma breve declaração, negou que tenha matado a esposa e afirmou que a família da advogada influenciou algumas testemunhas.

O crime

Tatiane foi encontrada morta no apartamento em que morava com Manvailer no último dia 22 de julho. Imagens mostram ela sendo agredida antes de entrar no prédio, no estacionamento, no elevador, e a queda do 4º andar. Depois, o suspeito busca o corpo, leva ao apartamento, limpa os vestígios de sangue no corredor e elevador e foge do local por uma saída alternativa do estacionamento.

 

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