Ministério Público denúncia Beto Richa na Operação Rádio Patrulha

Roger Pereira e Francielly Azevedo

O ex-governador do Paraná Beto Richa foi denunciado nesta terça-feira pelo Ministério Público do Paraná no âmbito da Operação Rádio Patrulha, deflagrada no último dia 11, quando Richa chegou a ser preso temporariamente, para investigar a cobrança de propina e a fraude de licitação na contratação das Patrulhas do Campo. Além de Richa, outras 12 pessoas foram denunciadas, entre eles irmão e ex-secretária de infraestrutura José Richa Filho, seu ex-chefe de gabinete, Deonilson Roldo, seu secretário de cerimonial, Ezequias Moreira e seu primo, Luiz Abi, além dos empresários envolvidos no caso. A ex-primeira dama Fernanda Richa, que também chegou a ser presa no dia 11, não foi denunciada.

Segundo a denúncia, o eixo do governo Beto Richa recebeu, entre maio de 2013 e julho de 2017, 8% dos valores brutos pagos às empresas responsáveis pelas Patrulhas do Campo (veículos e equipamentos utilizados para obras e manutenção das estradas rurais. De acordo com o Ministério Público, o total dos pagamentos efetuados pelo Estado do Paraná às empresas conluiadas foi de R$ 101,9 milhões. “Considerando a porcentagem prometida de propina – oito por cento (08%) sobre o bruto -, o valor global das vantagens indevidas recebidas pelos agentes públicos denunciados foi da ordem de R$ 8,152 milhões”, sustenta a denúncia.

“O denunciado Carlos Alberto Richa, então Governador do Estado do Paraná, e principal destinatário final das vantagens indevidas prometidas pelos empresários, plenamente ciente das tratativas e reuniões realizadas, não apenas convalidou todo o arranjo criminoso, como também dispensava ordens para garantir que os pagamentos ilícitos por parte dos empresários fossem, de fato, efetivados”, aponta o Ministério Público.

O Ministério Público ressalva que a denúncia apresentada nesta terça-feira aborda “apenas” os crimes de corrupção e fraude a licitação, sendo que outras atividades criminosas relacionadas ao caso seguem sendo investigadas. “Relativamente aos crimes de organização criminosa, obstrução de justiça, lavagem de dinheiro, peculato e outros crimes licitatórios, considerando a necessidade de realização de novas diligências, o Ministério Público informa que serão instaurados procedimentos investigatórios criminais autônomos, razão pela qual, por ora, deixa de denunciar os investigados Fernanda Bernardi Vieira Richa (ex-primeira-dama) e Dirceu Pupo Ferreira (contador da família Richa)”.


Beto Richa foi preso temporariamente no dia 11 de setembro, quando o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a Operação Rádio Patrulha. O ex-governador ficou detido até o final da noite do dia 14, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes concedeu habeas corpus a todos os envolvidos no caso, acatando argumentação da defesa de Richa de que a prisão temporária (que já havia sido convertida em preventiva) seria uma forma de se driblar a proibição da condução coercitiva, determinada pelo Supremo. O MP e a Procuradoria Geral da República recorreram da decisão.

Com é candidato ao Senado, Richa não pode mais ser detido até o dia 7 de outubro, data da eleição, conforme prevê a legislação eleitoral brasileira.

OUTRO LADO

Em nota, a defesa de Richa disse que “a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado do Paraná (MPE-PR) contra o ex-governador Beto Richa, assim como a prisão temporária decretada no dia 11 de setembro, é baseada única e exclusivamente em termos de depoimento de colaborador premiado já conhecido do Poder Judiciário paranaense, sem qualquer base em provas de suas falaciosas alegações. Ainda mais grave, sem a mínima diligência investigativa por parte do próprio MPE-PR ou da Polícia Civil para fins de verificar as ilações feitas pelo delator. Contudo, permanece a confiança na Justiça, que, em tempo certo, reestabelecerá a verdade e a honra da família Richa”, diz a nota.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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