Em ironia a Moro, Requião apresenta lei Ônyx Lorenzoni para perdoar caixa 2 de quem pedir desculpas

Roger Pereira

Despedindo-se do Senado, uma vez que não conseguiu se reeleger nas eleições de outubro, o senador paranaense Roberto Requião (MDB), apresentou, na última quarta-feira, um projeto de Lei para provocar dois dos principais nomes do futuro governo Jair Bolsonaro (PSL): o futuro ministro da Justiça, juiz federal Sergio Moro e o futuro ministro da Casa Civil, deputado federal Ônyx Lorenzoni (DEM-RS). Requião apresentou um projeto de lei batizado de “Ônix Lorenzoni”, que “cria a possibilidade de perdão legal para aqueles que demonstrarem arrependimento”.

O projeto é uma ironia do senador à declaração de Sergio Moro em entrevista coletiva na última terça-feira, quando foi questionado sobre como sereia sua relação com colegas de ministério investigados por corrupção, inclusive o deputado Ônyx, que admitiu ter recebido R$ 100 mil em caixa 2 da JBS em sua campanha eleitoral de 2014. Na resposta, Moro disse ter admiração por Ônyx, que atuou para a aprovação das 10 medidas contra a corrupção na Câmara e minimizou o caso de caixa 2 dizendo que “quanto a esse episódio no passado [caixa 2], ele mesmo admitiu os seus erros e pediu desculpas, e tomou as providências pra reparar”.

“Rindo se critica os costumes. Rindo se critica Moro, nosso herói paranaense, duro no combate à corrupção. Ele que vem dizendo há muito tempo que o maior crime possível é o crime de caixa 2, mas eis que, de repente, o juiz vai abandonar a magistratura para ser ministro de Bolsonaro, e vai ser colega de Ônyx Lorenzoni, que admitiu o caixa 2, cometeu o crime dos crimes, mas, o juiz Sergio Moro, surpreendentemente, diz que esse crime não tem mais importância porque ele se arrependeu”, disse Requião. “Então, sendo assim, vamos evitar que recursos judiciais tentem impedir essa absolvição de Sergio Moro a seu colega de ministério. Então, fiz um projeto de Lei, a lei ônix Lorenzoni, que acrescenta o dispositivo do perdão judicial à lei das organizações criminosas, dizendo que: a critério do juiz pode-se conceder perdão judicial desde que o réu demonstre arrependimento, confesse a prática de crime e apresente pedido público de perdão e de dispensa da pena”, descreve Requião. “E ainda acrescento um parágrafo único: ‘caso o criminoso seja nomeado para cargo de ministro de Estado, o juízo do feito criminal determinará de ofício o perdão judicial, desde que cumpridas as condições previstas no caput”, brinca o senador. “Limitar esse benefício a Lorenzoni violaria o princípio constitucional da impessoalidade, nada mais coerente que estender esse perdão judicial e dá-lo caráter de ofício”, acrescenta

 


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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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