Ex-secretário de Segurança do Paraná é nomeado para equipe de Moro e diz que “ninguém resolve o problema da criminalidade”

Roger Pereira

O ex-secretário de Segurança Pública do Paraná Wagner Mesquita, foi nomeado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, como coordenador geral de combate ao crime organizado no governo federal. Mesquita foi secretário do governo Beto Richa (PSDB) entre maio de 2015 e fevereiro de 2018, deixando o cargo após a repercussão negativa do caso de um rapaz assassinado cujo corpo permaneceu pro 13h na rua, no local do crime, antes de ser recolhido pelo Instituto Médico Legal. Ao sair da secretaria ele atribuiu sua substituição a “arranjos políticos em ano de eleição”.

Em entrevista à repórter Francielly Azevedo, para a CBN Curitiba, Mesquita admitiu que mesmo com toda a estrutura montada no Ministério da Justiça e Segurança Pública, “ninguém resolve o problema da criminalidade” no Brasil. “Resolver o problema da criminalidade, ninguém resolve, porque é um problema social. Mas fazer um combate de maior qualidade, diminuir índices e dar um resultado positivo à população é nosso foco, agora, em âmbito nacional”.

Mesquita é delegado federal de classe especial desde o ano de 2003. Foi responsável pela Delegacia da PF em Foz do Iguaçu, na região oeste do Paraná e conduziu operações de inteligência contra o narcotráfico, como “Zapata”, “Fênix”, “Ressaca” e “Catimbó”. Foi chefe do Departamento de Repressão a Entorpecentes, do Departamento de Investigação de Crimes Patrimoniais e da Delegacia de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal no Paraná.

Ele afirmou que seu papel no governo federal será coordenar o trabalho junto às polícias estaduais e os departamentos penitenciários focando as ações no combate ao crime organizado. “Nosso trabalho será integrar as polícias, padronizar bancos de dados, fazer análises, propiciar uma qualidade de informação melhor para atuação de nossas polícias”. Para ele a falta de compartilhamento de informações e de padrões de investigação é um dos gargalos da segurança pública no país. “Uma das grandes carências e, até minha passagem pela secretaria me deixou mais convicto disso, é a padronização dos procedimentos. As organizações criminosas atuam no país inteiro de uma maneira muito rápida e informal. Então, a polícia também precisa criar bancos de dados unificados, treinamentos padronizados e ferramentas compartilhadas por todos os agentes de segurança pública e de todos os estados. Então esse é nosso papel, essa é nossa missão, focar na criação de padrões de trabalho e integração das polícias estaduais para um resultado melhor no combate ao crime organizado”.


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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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