Para quem viveu na pele, documentos da CIA sobre a ditadura não são novidade, diz Manuela D’Ávila

Roger Pereira

Em Curitiba para participar de uma sabatina promovida por uma universidade, a pré-candidata do PC do B à Presidência da República, Manuela D’Ávila visitou a vigília em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reconheceu a importância histórica dos documentos divulgados pela CIA sobre os assassinatos da ditadura militar, mas disse estranhar surpresa com que se reagiu às confirmações dos crimes.

“Os documentos da CIA não são surpresa, porque nós fomos o partido que se tentou dizimar durante o processo da ditadura militar no Brasil. Não foram poucos os que morreram”, disse. “A revelação dos documentos é importante, confere validade história e científica, agora está documentado. Mas, a documentação para o PC do B foi feita a balas. A documentação, para nós, já existia, pois nós perdemos os nossos, então a gente conhece essa história tatuada na pele, não precisava desses documentos da CIA”, acrescentou.

Manuela também refutou as declarações de que assim como o exército o PC do B também evita tratar dos assuntos referentes à Guerrilha do Araguaia. “Eu não intendi os interesses por trás daquela manifestação esdrúxula. O PCdoB é um partido como os outros, pode ter seus limites, as pessoas podem apontar divergências programáticas conosco, mas existe algo no PCdoB que é inquestionável, até por adversários, que é nossa lealdade com os que construíram nossa história e nosso partido. Há um silêncio muito grande com relação à história do Araguaia, que, felizmente, nós do PCdoB não somos cúmplices”, disse. “Nós sempre falamos sempre o Araguaia, sempre contamos aos nossos sobre a Lapa, sempre falamos que muitas brasileiras e brasileiros morreram para que a democracia voltasse a existir”, acrescentou.

“Para nós, nunca foi ‘ditabranda’, porque o PCdoB perdeu sua direção quase que toda na chacina da Lapa. Para nós, nunca foi ‘ditabranda’ porque nós combatemos no Araguaia. E eu falo nós porque, mesmo tendo nascido depois do término do Araguaia, nós nos sentimos representantes daqueles que tombaram, seguiu a deputada federal.


Pré-candidata à Presidência, a deputada afirmou que ela e o PC do B só trabalham com o cenário com Lula também candidato em outubro. “Eu fui lançada pré-candidata a presidente há seis meses, no congresso do meu partido, com a presença do ex-presidente Lula. Então, nunca vi contradição. Milito há 20 anos no meu partido, acreditamos que o Brasil vive um ciclo político pós-golpe, que saídas precisam ser apresentadas e que a nossa candidatura é uma das formas de apresentarmos uma saída para a crise que o país vive. Então, a construção da minha candidatura se dá com a candidatura do ex-presidente Lula, que eu defendo que exista. Esse é o único cenário com que trabalhamos”, disse. “A minha pré-candidatura foi lançada, em novembro, num cenário em que Lula também já era pré-candidato e nós nos encontraremos nos debates para discutir saídas para as crises que o país vive. É isso que eu defendo”, concluiu.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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