Réu confesso da Lava Jato diz que Temer e Cunha eram os destinatários da propina ao MDB

Roger Pereira

Em depoimento ao juiz federal Sergio Moro, nesta quarta-feira, o ex-gerente geral para a América Latina da Petrobras Aluísio Teles Ferreira Filho, afirmou que parte da propina paga pela Odebrecht à diretoria internacional da Petrobras por contratos de serviços de reabilitação, construção e montagem, diagnóstico e remediação ambiental, elaboração de estudo, diagnóstico e levantamentos nas áreas de segurança, meio ambiente e saúde (SMS) em nove países além do Brasil, foi destinada ao presidente Michel Temer (MDB) e ao ex-deputado federal Eduardo Cunha. Segundo, o réu, que confessou ter recebido R$ 11,75 milhões em propina no contrato, ambos eram os agentes políticos do PMDB para os quais foram destinados 3,5% do valor do contrato, de R$ 825 milhões.

O João Augusto (Rezende Henriques – operador do PMDB) me falou que pediu 5% do valor do contrato em propina, sendo que 70% do que ele recebia ia para políticos e 30% para a ‘casa’, que éramos nós, da Petrobras. A maior parte da propina ia para o Zelada (Jorge – ex-diretor internacional da estatal) e quem sustentava ele era o PMDB. A gente sabia que estava envolvido o próprio presidente Michel Temer, o Eduardo Cunha, e um terceiro do PMDB. Mas a Odebrecht venceu esse contrato e a diretoria da Petrobras não aprovava o projeto. Até que o João falou que eles iam dar 1% para o PT, acertado com o Vaccari, e aí o contrato avançou”, relatou.

Aluísio disse que, desta parte acertada entre a Odebrecht e Henriques, ele recebeu “apenas” R$ 400 mil, mas confessou a Sergio Moro que, como foi o responsável direto pela elaboração do projeto, acertou, ele mesmo uma propina de 3% do valor do contrato, que dividiu com outros colegas, para passar informações privilegiadas à Odebrecht antes mesmo do lançamento do edital. “Aí eles montaram um escritório para acompanhar todo o desenvolvimento da proposta e tiveram vantagem na hora da licitação”, admitiu.


Teles corroborou com a acusação do Ministério Público Federal. Segundo a Procuradoria, para garantir que a empresa fosse favorecida na disputa, executivos pagaram propina aos ex-funcionários da estatal e a operadores vinculados ao MDB no valor de aproximadamente US$ 55 milhões – cerca de R$ 200 milhões em montante atualizado. Tais pagamentos ocorreram entre os anos de 2010 e 2012, sustenta a Lava Jato.

Como contrapartida à propina paga, a Odebrecht teve acesso a informações privilegiadas de modo antecipado sobre o projeto, inclusive à relação das empresas a serem convidadas para o futuro certame, bem como ‘sugeriu’ alterações relacionadas ao procedimento licitatório que restringiam a competição e a favoreciam amplamente”, afirma o Ministério Público Federal.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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