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Arte com direito e empresa têm a ver? Apenas tudo!

In loco: transmitindo informações e compartilhando experiênciasNas entrelinhas do Direito, por André Cesar de Mel..

Janaina Chiaradia - 29 de outubro de 2019, 12:26

In loco: transmitindo informações e compartilhando experiências

Nas entrelinhas do Direito, por André Cesar de Mello

 

Hoje não é sexta-feira, como de costume, da série “nas entrelinhas do Direito”, mas o tema escolhido, foi merecedor de um destaque, em plena terça-feira, afinal, precisamos refletir:

 

Arte com direito e empresa têm a ver? Apenas tudo!

O texto de hoje ficou por conta de Paula Yurie Abiko e André Cesar de Mello

 

Na coluna “Nas entrelinhas do Direito” estivemos sempre abordando assuntos envolvendo institutos novos do Direito e a aplicação disso no mundo empresarial. Hoje temos uma nova perspectiva: a utilização da arte no Direito e no mundo corporativo. Ou será que o Direito se utiliza da arte como meio para torná-lo ainda mais belo? Esse é um convite para quem é do Direito e para quem não é do Direito experimentar uma visão mais lúdica dos conflitos diários. Estão prontos? Vamos lá!

A literatura e as artes no geral (teatro, dança, música e pintura) possuem papel fundamental na formação dos indivíduos em sua totalidade, pois possibilitam uma análise mais acurada dos fatos cotidianos e demais vivências. O autor de uma peça ou livro, por exemplo, tenta expor, por meio de simples palavras, o sentimento, emoção e visão que está tendo em um determinado momento de sua vida. Essa tarefa não é nada fácil, uma vez que sentimentos jamais poderão ser perfeitamente explicados por meio de frases, pontos, vírgulas, adjetivos, substantivos, etc. Essa é a tarefa árdua do autor literário. Transmitir a riqueza subjetiva e sutil da vida em elementos concretos como palavras.

Nesse sentido, a arte na formação dos profissionais do Direito e do empresário se torna fundamental, pois possibilita o desenvolvimento de trabalhos de forma muito mais humana e cheia de empatia ao próximo, indubitavelmente importante em uma área que lida diariamente com os conflitos sociais. E aqui estamos falando para o atuante do Direito que está dentro de uma empresa assim como para aquele que está em seu gabinete, seu escritório, etc. Falamos isso também para o empresário que pratica a arte de crescer todos os dias em meio a diversas dificuldades. É só a arte que é capaz de humanizar e suavizar essa trajetória.

Podemos citar inúmeras obras de literatura que consideramos de suma importância para a formação dos profissionais do direito, como Crime e Castigo, Gente Pobre, Um Pequeno Herói, Memorias do Subsolo, todos do autor Russo Fiódor Dostoiésvki. Também citamos duas narrativas fantásticas: A Dócil e o Sonho de um Homem Ridículo, A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes são também obras que li e considero fundamentais do mesmo autor: Dostoiésvki.

Outro clássico da literatura que até a atualidade é estudado em grupos de pesquisa pela relevância de suas obras e abordagens é Shakespeare. No Brasil, há uma coletânea organizada com diversas obras do autor pela Professora da Universidade Federal do Paraná Liana Leão, que possui estudos pós-doutorais sobre o referido autor.

Sem dúvidas são peças fundamentais para entender os conflitos humanos e a perplexidade da vida em sociedade. Nessas peças estão presentes crimes, angústias, traições, conflitos políticos e sociais, como exemplo um caso de feminicídio na peça Otelo de Shakespeare. Será que a vida imita a arte ou a arte imita a vida? Segue um trecho:

 

Otelo

É a causa, sim, a causa, minh’alma,

Não a nomeio ante as castas estrelas:

É a causa; mas sangue não derramo,

Nem mancho sua pele, alve de neve

E lisa como a glória do alabastro;

Porém tem de morrer, senão trai outros.

Apago a luz, e, então, apago a luz:

Se a ti eu sufocar, oh flama ardente,

Posso de novo restaurar-te a luz, Se me arrependo; mas, se a você apago,

Molde sagaz na natureza excelsa,

Desconheço calor de Prometeu

Que a reascendesse: já colhida,

Não posso dar à rosa viva;

Tem de secar; vou cheirá-la no galho.

(Beija-a).

Hálito quente assim quase convence

A justiça a trair-se uma vez mais:

Se ficar assim morta, vou mata-la,

E amá-la depois: mais uma, a última,

E o doce mais fatal: agora choro,

Mas é pranto cruel, dor celestial

Que golpeia o que ama: ela desperta.

Desdêmona

Quem está ai, Otelo?

Otelo

Sim, Desdêmona.

Desdêmona

E vem deitar-se, meu senhor?

Otelo

Fez suas orações?

Desdemôna

Fiz, meu Senhor.

Otelo

Mas, se puder lembra-se de algum crime

Ainda sem perdão do céu e a graça,

Implore-o logo) têm feito rodas de conversa semanais sobre literatura, buscando interpretar as vivências dos personagens e utilizando esses ensinamentos no ambiente corporativo. Esse é um meio de aplicar esse conhecimento no seu dia a dia.

Permitam-me dizer que, num mundo extremamente instrumentalizado (ou seja, busca-se ser, fazer e ter para chegar a algum lugar que geralmente é a riqueza) e distorcido (em relação a valores básicos como a ética), a arte surge como um bom instrumento de compreensão da vida e do outro ao seu lado; de seus anseios e limitações; de seus condicionamentos; de suas virtudes e desvirtudes. A arte serve como um óculos dado a um míope para ver o mundo e a vida sob outra ótica e com mais clareza. Usemos mais a arte em nossas vidas; usemos mais a arte em nossos negócios. A arte ensina todos os dias. A arte atinge muito mais do que nossa mente: atinge nossas profundezas mais sutis de nossos corações e emoções, dando-nos outra visão de mundo. Bom isso, não é?

Um abraço fraterno a todos os nossos leitores.

Sensacional o texto de hoje, como de costume... fica a dica, deixa a arte entrar na rotina de trabalho, deixa a mente fluir, e incentive o crescimento cultural de nossa sociedade...

Afinal:

https://youtu.be/h7nrTNHozzg

 

 

Baptistella, Nanci Elisa. Arte nas empresas: pesquisa exploratória da utilização da arte como meio de comunicação com os funcionários nas empresas. 2011. 98 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2011. Disponível em: < https://tede2.pucsp.br/handle/handle/4284>.