Curitiba e Campos Gerais são os principais polos cervejeiros do Paraná

Mariana Ohde


Com Sebrae/PR

A maioria das microcervejarias artesanais paranaenses estão concentradas em Curitiba e Campos Gerais e 27% delas já estão no mercado há mais de sete anos. Os dados são de um estudo inédito realizado por meio de projeto do Sebrae/PR, Associação das Microcervejarias do Paraná (Procerva) e a Faculdade Guairacá, que mapeou o setor de microcervejarias artesanais no estado. O levantamento identifica a localização das empresas, o perfil socioeconômico dos empresários, principais estilos produzidos, capacidade produtiva instalada, canais de distribuição, entre outras informações do setor.

Foram pesquisadas 65 empresas no Paraná, de setembro a dezembro de 2017.

O estudo aponta que a maior densidade de fabricantes está em Curitiba e Região Metropolitana, com 26 empresas, e também, nos Campos Gerais, com 11 fábricas. Há polos cervejeiros também no norte, no sul e na região oeste do Paraná, com relevância e tradição no ramo.

O levantamento mostra que 27% das empresas estão no mercado há mais de sete anos, 23% têm entre 3 a 5 anos de atividades, 22% atuam entre 1 a 3 anos, 17% têm entre 5 a 7 anos de atuação e 11% estão há menos de um ano no mercado. Dentre os estilos mais produzidos estão IPA (73,8%), Pilsen (64,6%), Weizen (58,5%), APA (44,6%) e Witibier (32,3%). Além disso, o mapeamento aponta que 58% das cervejarias produzem exclusivamente para suas próprias marcas e 34% terceirizam a produção para outras marcas, também conhecidas como marcas “ciganas”.

A capacidade de produção instalada também foi apurada, e 40% dos entrevistados responderam que podem produzir até 10.000 litros por mês. Outros 38% afirmaram ter potencial de produção entre 10.001 a 50.000 litros, mensalmente.

A maioria dos empresários envolvidos na produção de cerveja artesanal no Paraná tem nível Superior completo (54%), 26% têm pós-graduação e mestrado, 9% possuem Ensino Médio completo, 5% não concluíram o ensino superior, 5% concluíram doutorado e 1% têm formação técnica. ”Com relação à escolaridade do público entrevistado, temos dados impactantes, pois mostram um setor com alto grau de escolaridade se sobressaindo no mercado, com produtos inovadores”, comenta Janete, da Faculdade Guairacá.

O Facebook aparece como o principal canal de divulgação dos produtos, com 27,6%. Outros 17,5% apostam no Instagram, enquanto que 15,6% investem em eventos para divulgar a marca. 12,5% das empresas têm site próprio e 11,6% participam de feiras. O mapeamento mostra ainda o recipiente de envase utilizado pelas microcervejarias artesanais: 52% delas usam somente barril, 34% barris e garrafas, 6% barril, garrafa e lata, 5% barril, garrafa e growler e 3% apenas garrafa.

A pesquisa

O levantamento, realizado dentro do projeto de Potencialização das Cervejarias Artesanais, foi produzido por meio de uma cooperação técnico-científica entre as Instituições e concretizado como projeto de extensão proposto pelo colegiado de administração da Faculdade Guairacá, de Guarapuava.

Para a coordenadora do curso de Administração, da Faculdade Guairacá, Janete Probst Munhoz, o estudo pioneiro no Estado permitiu o mapeamento de 100% das empresas dentro do período de pesquisa, com a identificação do quantitativo de negócios. “São informações importantes e de interesse do Sebrae/PR e da Procerva, como de qualquer outra entidade que trabalhe em favor do crescimento do mercado e do setor”, pontua. O estudo envolveu acadêmicos de Administração e Psicologia na coleta de dados.

Os dados, conforme explica a consultora do Sebrae/PR, Michele Riquetti Tesser, são um ponto de partida para compreender e acompanhar o desenvolvimento do segmento. “Trata-se de um setor carente de informações para embasar novos estudos que auxiliem na tomada de decisões estratégicas por parte das empresas que compõe o segmento”, avalia Michele. As informações também podem auxiliar na elaboração e oferta de soluções com foco na profissionalização das empresas e ampliação do mercado, seja através do projeto de Potencialização das Cervejarias Artesanais, iniciado em 2017, ou outras instituições interessadas em contribuir com a área.

O presidente Procerva, Richard Buschann, destaca a importância do levantamento no sentido de quantificar o setor, mostrar as regiões com maior densidade de empresas e acompanhar o crescimento do segmento. “Com dados monitorados podemos ter ações mais assertivas em relação ao mercado”, comenta. Ainda conforme Richard, o mapeamento permite identificar regiões onde o segmento ainda não é explorado, permitindo ampliar o número de clientes e de mercado.

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Repórter no Paraná Portal
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