Celular é principal dispositivo de acesso à internet no Brasil

Mariana Ohde e Assessoria

Esta é a primeira vez em que o número ultrapassou o de usuários que combinam celular e computador.
Celular

Quase metade dos brasileiros dependem do celular para acessar a internet. São 58,7 milhões, ou 49% da população. Os dados são da pesquisa TIC Domicílios 2017, divulgada nesta terça-feira (24) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Esta é a primeira vez em que o número de usuários que acessam a web pelo celular ultrapassou o de usuários que combinam celular e computador (47%). Apenas 4% da população usa apenas o computador. Por outro lado, 19% dos domicílios conectados não possuem computador, o que representa 13,4 milhões de residências. Essa proporção era de apenas 4% em 2014.

Ainda segundo o estudo, os brasileiros de menor renda são os que mais dependem dos celulares para usar a internet: 80% das pessoas das classes D e E usam apenas os celulares. Nas áreas rurais a dependência do celular também é maior. Nestas regiões, 72% dos usuários recorrem a ele.

“No Brasil, 33 milhões de usuários com renda mensal de até dois salários mínimos utilizam a Internet exclusivamente pelo celular, enquanto o uso simultâneo incluindo o computador foi realizado por 88% dos usuários da classe A. O fator socioeconômico é preponderante. Aqueles que têm a possibilidade de escolher combinam o uso de mais de um dispositivo para acessar a rede”, explica Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.


A TIC Domicílios entrevistou cerca de 23 mil domicílios em todo o Brasil, entre novembro de 2017 e maio de 2018.

Acesso cresce, mas preço é empecilho

Em todo o país, 61% das casas têm acesso à internet, ou 42,1 milhões de lares, segundo dados de 2017. Nas áreas urbanas, 65% das casas estão conectadas, ou 38,8 milhões.

Nas classes D e E, apenas 30% dos lares têm acesso à internet em 2017 – índice que era de 23% em 2016. Já nas classes A e B, as proporções atingem, respectivamente, 99% e 93%.

Segundo o estudo, o preço da conexão é o principal motivo para a ausência de internet nos lares. 59% dos entrevistados afirmam que o serviço é caro. O desinteresse também se destaca, com falta de interesse (47%), falta de necessidade (44%) e falta de habilidade para usar a internet (42%) sendo citados entre os principais motivos.

“O dado revela ser cada vez mais essencial o investimento em infraestrutura e em políticas públicas que possibilitem que todos os brasileiros possam ter acesso à internet em suas casas, sem distinção de classe social ou região geográfica”, afirma Barbosa.

No que diz respeito ao principal tipo de conexão, a banda larga fixa (64%) e móvel 3G ou 4G (25%) mantiveram índices estáveis em relação ao ano passado, porém, o acesso móvel continua sendo mais utilizado do que o fixo por domicílios de classes D/E (48%).

Usuários de internet

A proporção de usuários de internet no Brasil cresceu seis pontos percentuais, passando de 61% (2016) para 67% (2017). Em números absolutos, 120,7 milhões de brasileiros acessam a rede, sendo que nas áreas urbanas essa proporção é de 71%.

Ainda de acordo com a pesquisa, 87% deles usam a internet todos os dias ou quase todos os dias. Já em relação ao dispositivo para acesso individual, mais uma vez a pesquisa aponta a preferência pelo celular, utilizado por quase a totalidade dos usuários (96%).

Também houve crescimento da televisão, utilizada por 22% dos usuários para conectar-se à internet. Essa proporção em 2014 era de 7%.

As atividades mais mencionadas durante o uso da internet continuam sendo o envio de mensagens (90%) e o uso de redes sociais (77%), porém o acesso a conteúdos audiovisuais tem apresentado crescimento nos últimos anos. A proporção dos usuários de internet que assistiu a vídeos na internet ou ouviu músicas foi de 71% em 2017, o que representa 85 milhões de pessoas.

A pesquisa também investigou entre a população usuária de internet com 16 anos ou mais. Em relação aos serviços de governo eletrônico utilizados. Os serviços mais citados foram direitos do trabalhador e previdência (28%) e educação pública (28%).

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal
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