Os dez erros que mais levam empresas à falência no Brasil

Mariana Ohde



No ano passado, 1.459 empresas entraram com pedidos de falência em todo o Brasil – 761 requeridos por micro e pequenas empresas, 355 por médias e 343 por grandes. Os dados são do Serasa Experian.

Em relação ao tempo de atividade, a maioria das empresas que fecha a as portas são jovens. Um levantamento do Sebrae aponta que, de cada 4 empresas abertas, uma fecha antes de completar dois anos de existência. “Como exemplo, o Sebrae informa que 27% das empresas paulistas que abrem as portas, acabam fechando antes mesmo de completar o primeiro aniversário. E este número chega a 64% dos negócios em até seis anos”, explica o consultor Waldemar Dotti.

Com 50 anos de experiência no mercado, Dotti afirma que a maioria das empresas acaba fechando as portas por causa de erros pequenos. “O problema é que os efeitos destes pequenos erros não são percebidos pelos donos, até que seja tarde demais para salvar a empresa”, explica.

O consultor lembra também que o crescimento do número de falências tende a se agravar com a onde de empreendedorismo, especialmente nos casos em que os empreendedores assumem riscos sem cálculos.

Confira os dois erros mais comuns, segundo o consultor:

1. Não ter um plano de negócios

É um dos principais erros, por ser um passo fundamental a ser dado antes de abrir a empresa. A falta de plano pode levar a decisões financeiras equivocadas e à perda de tempo. Um plano de negócios bem desenvolvido melhora a visão do negócio e contribui para uma análise mais correta de sua viabilidade.

2. Desconhecer o mercado em que irá atuar

Muitas pessoas deixam seus empregos para empreender, mas erram na escolha do nicho de mercado. Entrar em um mercado em que o profissional já tenha conhecimento é muito mais seguro, com mais chances de sucesso.

3. Misturar as finanças da empresa com a pessoal

Deve ficar bem claro que as finanças pessoais são uma coisa (Pessoa Física), e as da empresa são outra (Pessoa Jurídica). O correto é o dono se colocar apenas como se fosse um colaborador de sua empresa, com um pró-labore definido e não confundir o pró-labore com o lucro da empresa.

As vantagens e benefícios existentes em grandes empresas, como empréstimos e carros, não devem ser utilizadas em benefício dos donos. O papel da empresa é gerar lucros. E os lucros futuros é que vão trazer os benefícios pessoais. O dinheiro da empresa deve ficar reservado para situações de queda nas vendas, e crises econômicas. E como capital de giro.

4. Contratar pessoas sem a competência necessária

Este é um dos erros mais graves e é comum quando se contrata amigos e familiares para cargos de responsabilidade, sem que eles tenham preparo. Essas contratações ainda geram brigas que frequentemente desgastam a gestão da empresa, segundo o consultor.

Este erro é mais difícil de ser identificado e geralmente só aparece quando já é tarde. Em um mercado competitivo, as empresas precisam dos melhores profissionais nos cargos chave.

5. Não estabelecer metas aos colaboradores

Deixar de definir metas é um erro, pois é por meio delas que a empresa ganha eficiência e competitividade. As metas, porém, devem ser alcançáveis para a equipe, que deve contar com treinamentos, cursos ou bolsas de estudo, entre outros apoios para alcançá-las.

6. Decisões sem planejamento e conhecimento dos riscos

Este erro é comum entre pequenos empresários, principalmente aqueles que não têm conhecimento sobre a administração de negócios. Decisões precipitadas e falta de planejamento podem gerar prejuízo.

Se o negócio está crescendo e o dono não tem o devido conhecimento, é aconselhável contratar um profissional com capacitação e experiência. Sem isso, decisões erradas na contratação de pessoas, compra de máquinas ou lançamentos de novos produtos, por exemplo, podem quebrar a empresa.

7. Tomar empréstimo ou financiamento sem receita assegurada para o pagamento

A falta de planejamento e conhecimento que levem a um financiamento sem uma análise profunda sobre o retorno pode ser um erro grave.

O mais aconselhado é evitar os financiamentos e analisar se há outras medidas que possam ser mais adequadas ao momento da empresa. Criar mais um turno na fábrica, por exemplo, pode ser mais seguro do que financiar mais máquinas, que pode ficar ociosas ou gerar uma dívida muito pesada.

8. Não ter respeito pelos colaboradores

Não manter uma relação de respeito com os próprios colaboradores é prejudicial para o sucesso do negócio. Isso reduz o desempenho e o estímulo da equipe.

O colaborador também é um cliente interno e o principal aliado do negócio. Ele deve ser valorizado e respeitado, em uma relação de parceria profissional.

9. Colocar todos os ovos em uma cesta só

Fazer investimentos ou aquisições pensando em apenas um tipo de cliente é arriscado. É melhor ter vários tipos de clientes e um mix de produtos. Empresas que segmentam demais o seu público entram em crise com as mudanças do mercado e da economia.

10. Achar que sabe e pode tudo

Este é um dos piores erros que um empresário pode cometer, segundo o consultor. O risco aparece quando o ego fala mais alto nas decisões importantes. O proprietário deve reconhecer quando a sua situação administrativa passa a ser complexa e contratar quem realmente entende do assunto. Saber quando é hora de passar o bastão para alguém competente é essencial.

Previous ArticleNext Article
Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal