Abílio Diniz é indiciado na Operação Trapaça

Francielly Azevedo - CBN Curitiba


A Polícia Federal indiciou, nesta segunda-feira (15), o empresário Abílio Diniz e o ex-diretor- presidente da BRF Pedro Andrade Faria pelos crimes de estelionato, organização criminosa, falsidade ideológica e crime contra saúde pública no âmbito da Operação Trapaça, terceira fase da Carne Fraca. Além deles, outros 41 investigados foram indiciados.

O relatório do delegado Mauricio Moscardi, da Polícia Federal em Curitiba, tem 404 páginas. Para indiciar os executivos, a PF se baseou na análise de conversas pelo aplicativo WhatsApp e trocas de emails entre os envolvidos.

Segundo o documento, Abílio Diniz e Pedro Faria, “pela posição hierárquica que ostentavam no quadro corporativo do Grupo, possuíam plena capacidade de orientar os círculos sob sua subordinação a tomar as medidas técnicas e eficazes, em âmbito sanitário, para que se determinasse a causa-raiz da contaminação química dos produtos destinados ao consumo e a regularização do processo industrial”.

Além disso, de acordo com o delegado, Diniz e Faria participaram ativamente do esquema. “Há, de fato, a participação do corpo diretivo da empresa na trama investigada, o qual tinha ciência de seu modus operandi, e que, não somente se omitiu em relação a fazer cessá-lo, mas, também, participou comissivamente dos atos de ocultação das fraudes, norteando sua execução”, diz no relatório.

Cabe agora ao Ministério Público Federal decidir se oferece a denúncia com base no relatório da Polícia Federal, se pede novas diligências ou se arquiva o processo.
A Operação Carne Fraca foi deflagrada pela Polícia Federal para desarticular um esquema de corrupção envolvendo fiscais agropecuários e donos de frigoríficos nos estados do Paraná, Minas Gerais e Goiás.

Em março deste ano, a PF deflagrou a terceira fase da Carne Fraca batizada de Operação Trapaça.

Conforme as investigações da PF, os fiscais alvos da operação recebiam propina das empresas para emitir certificados sanitários sem fiscalização efetiva da carne, o que permitia a venda de produtos com prazo de validade vencido. As investigações apontam que quatro fábricas da BRF Brasil Food são suspeitas de fraudar laudos relacionados à presença de salmonela em alimentos para exportação a 12 países que exigem requisitos sanitários específicos de controle da bactéria.

Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, Abilio Diniz diz que não cometeu nenhuma irregularidade como Presidente do Conselho de Administração da BRF. “No relatório apresentado pela Polícia Federal, não existem elementos que demonstrem irregularidades cometidas por Abilio Diniz. É importante ressaltar que o indiciamento não indica culpa, mas apenas que a autoridade policial considera haver indícios de atos ilícitos, o que será apreciado ainda pelo Ministério Público”.

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