ACP recua e pede que comércio fique fechado no PR após reações do MP e governo

Vinicius Cordeiro

Apesar do recuo, Associação Comercial do Paraná demonstrou insatisfação.
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A ACP (Associação Comercial do Paraná) recuou e pediu, nesta sexta-feira (10), para que o comércio siga fechado no estado. O recuo da entidade vem após a recomendação administrativa do MP (Ministério Público do Paraná) e da resposta do governo estadual, que priorizam o isolamento social na luta contra o coronavírus.

“Nos manifestamos para que nossos associados e comerciantes em geral permaneçam em isolamento social e NÃO REABRAM seus estabelecimentos a partir da próxima segunda-feira, dia 13 de abril”, diz a nota.

Ontem (9), a Associação pediu para que os seus associados e comerciantes reabrissem as lojas a partir da próxima segunda-feira (13). A medida iria contra as recomendações das autoridades de saúde no combate ao coronavírus, que já soma 24 mortes e mais de 600 casos em todo o Paraná.

Na nota assinada pelo presidente Camilo Turmina, o pedido era justificado “como forma de amenizar os graves prejuízos acumulados pelo comércio”. A proposta incluía horário diferenciado, das 10h às 16h, equipes de trabalho reduzidas e acesso limitado a 50% da capacidade de cada estabelecimento.

Além disso, o governo do Paraná emitiu uma nota nesta sexta-feira (10) afirmando que o “Poder Público”, incluindo os municípios, é o responsável por determinar o que abre e fecha, de acordo com as leis federais.

ACP PEDE QUE COMÉRCIO DO PARANÁ PERMANEÇA FECHADO, MAS MOSTRA INSATISFAÇÃO

Turmina decidiu aceitar os apelos e “acatar, por ora”, a recomendação do MP. A ACP ressaltou que respeita as recomendações, mas que incluía medidas de combate ao coronavírus. Contudo, deixou claro a insatisfação.

“(…) o fechamento completo do comércio por tempo indeterminado criará uma onda de quebra de empresas e desemprego que podem levar a um caos social sem precedentes na história do país”, diz.

Além disso, a Associação Comercial do Paraná também alega que Curitiba se encaixa em uma recomendação específica do Ministério da Saúde. Segundo a pasta federal, os “municípios, Distrito Federal e Estados que implementaram medidas de distanciamento social, onde o número de casos confirmados não tenha impactado em mais de 50% da capacidade instalada antes da pandemia” devem iniciar a transição para o Distanciamento Social Seletivo (DSS). Nesse caso, apenas alguns grupos ficariam isolados.

“Não podemos fechar os olhos, temos que planejar o dia do amanhã, concomitante com a análise para implementação de políticas de biossegurança, na preservação das vidas, queremos o melhor para todos, sem dissociar nada e com uma visão ampla”, completa.

Por fim, a ACP pede que as autoridades voltem à explicar, de forma clara, quais segmentos do comércio estão proibidos e quais estão autorizados de funcionar.

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