Agenda movimentada agita mercado brasileiro e dólar deve operar em alta

Confira o boletim de abertura de mercado desta quarta-feira (24), com o superintendente regional de câmbio da SLW, João ..

Mariana Ohde - 24 de agosto de 2016, 09:17

Confira o boletim de abertura de mercado desta quarta-feira (24), com o superintendente regional de câmbio da SLW, João Paulo de Gracia Corrêa:

Após abrir em queda no início da sessão, o dólar voltou a se fortalecer no final da tarde de ontem, aqui e no exterior. Investidores adotaram uma postura de cautela com a aproximação de eventos importantes no Brasil e nos Estados Unidos. Internamente, entra na fase final o processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, nesta quinta-feira, e, nos EUA, a presidente do FED discursa, na sexta-feira, durante o simpósio de Jacksonhole, podendo dar sinais dos próximos passos do BC americano.

Também não animam os agentes domésticos a falta de clareza do governo Temer sobre o ajuste fiscal e o desconforto gerado com as declarações do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que afirmou que se o projeto da PEC do teto dos gastos não for aprovado pelo Legislativo este ano, ficará para 2017. Com isso, o dólar encerrou a terça-feira cotado e R$ 3,2304, alta de 0,91%.

Com a agenda externa esvaziada hoje, o mercado financeiro internacional opera sem força e com direções divergentes. Enquanto as bolsas de Frankfurt e Paris registram altas, Londres registra queda, pressionada pelas mineradoras, após a Glencore reportar prejuízo líquido e queda na receita no primeiro semestre.

Os futuros americanos operam perto da linha d’água, no aguardo da divulgação da segunda estimativa do PIB do segundo trimestre e do discurso de Yellen na sexta-feira. Investidores também seguem atentos ao sobe-e-desce do preço do petróleo, diante das especulações sobre uma eventual reunião dos países produtores para decidir o congelamento ou não na produção da commodity.

No mercado de câmbio internacional, o dólar também exibe direções mistas, ganhando do euro e franco suíço, mas perdendo da libra. Ante a maioria das moedas emergentes, a divisa dos Estados Unidos segue valorizada, porém com menor intensidade comparada ao pregão de ontem.

Aqui, os players domésticos, além de acompanhar os eventos externos, já se preparam para o julgamento final do impeachment de Dilma Rousseff, mas incomodados com as incertezas no campo fiscal. Ontem, o governo não conseguiu quórum para concluir a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2017, e, na Câmara, foi adiada, pela terceira vez, a finalização da votação do projeto de renegociação da dívida dos Estados com a União.

Também no radar dos agentes financeiros, a Operação Decantação, deflagrada hoje pela Polícia Federal, que cumpre mandado de prisão contra o presidente do PSDB em Goiás, Afrênio Gonsalves Leite, além de busca e apreensão na sede do partido no Estado. São investigados recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de financiamentos do BNDES e da Caixa Econômica Federal, desviados para pagamento de propinas e dívidas de campanhas políticas do PSDB. Nesse clima de apreensão e expectativa, o dólar deve abrir em alta, em linha com o comportamento da divisa ante a maioria das moedas emergentes no exterior.

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