Alta do dólar afeta preços no comércio do Paraná

Francielly Azevedo - CBN Curitiba

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A alta do dólar, que desde a semana passada varia em torno dos R$ 4,00, já começa afetar o comércio, de acordo com a Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio).
Em seis meses a moeda americana teve alta de aproximadamente 30%. Saiu de R$ 3,24 em fevereiro e, nesta quarta-feira (29), a cotação para venda está em R$ 4,13.
A coordenadora de pesquisas da Fecomércio, Priscila Andrade, destaca que o aumento pode refletir no bolso do consumidor, já que as empresas devem repassar a variação também para o preço das mercadorias.

“O bom seria que nós tivéssemos uma moeda um pouco mais instável também, mas com todas essas oscilações fora do Brasil provoca esse aumento, além da instabilidade dentro do país. O Brasil não tem instabilidade para essa alta do dólar e o preço final sempre vai chegar ao bolso do consumidor”, afirmou.

Mesmo quem não compra produtos importados ou não vai viajar para fora do país deve sentir a alta do dólar em itens comuns no dia a dia. Segundo a coordenadora da Fecomércio, o aumento afeta desde o preço do pão francês até a carne, por exemplo. Alimentos à base de trigo são uns dos mais atingidos, já que metade da farinha consumida no Brasil é importada.
Além disso, a carne de aves e suínos deve ficar mais cara porque o preço dos grãos usados na criação desses animais também tem acréscimo.

“Alimentos a base de trigo vão ficar mais caros. Na área de vestuário, o algodão é cotado em dólar então as roupas vão ficar mais caras”, disse.

Além dos alimentos, os combustíveis têm elevação no preço, porque os derivados de petróleo são cotados em dólar.

“Os combustíveis tem elevação porque os barris de petróleo são cotados em dólar, então sobe o gás também, além de restaurantes e outros serviços”, explicou.

Para não perder os clientes, que já estão descapitalizados e com poder de compra reduzido, muitos comerciantes devem absorver parte dos prejuízos. A disparada do dólar também afeta a inflação, que impacta a alta de juros e, por consequência, diminui a demanda por crédito e reduz o consumo.

“Com a influência da alta do dólar a inflação aumenta e os bancos são orientados a aumentar os juros. Com juros mais altos o brasileiro acaba não contraindo crédito, que é muito comum, e sem crédito não movimenta o comércio”.

Segundo a Fecomércio, a instabilidade cambial mescla motivos de ordem interna e externa, mas o principal deles é a incerteza provocada pela eleição presidencial no Brasil. Enquanto não há definição de quem vai governar o país e qual será seu posicionamento, empresários brasileiros e estrangeiros devem adiar decisões de investimento e o mercado tende a pressionar o preço do dólar para cima.
Ainda conforme a pesquisa, no cenário internacional, a guerra comercial travada entre Estados Unidos e China também contribui para o avanço do dólar.

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