Dólar vai acima de R$ 5,15 com receio de desaceleração global

Disparada internacional da moeda norte-americana foi impulsionada pela perspectiva de endurecimento da política monetária do banco central americano e temores de uma desaceleração econômica global.

Folhapress - 09 de maio de 2022, 10:13

Foto: Divulgação/Global Exchange Brasil
Foto: Divulgação/Global Exchange Brasil

O dólar saltava logo após a abertura desta segunda-feira (9), chegando a superar a marca de R$ 5,15 em meio à disparada internacional da moeda norte-americana, que era impulsionada pela perspectiva de endurecimento da política monetária do Fed (Federal Reserve, banco central americano) e temores de uma desaceleração econômica global.

Às 9h05 (de Brasília), o dólar à vista avançava 1,40%, a R$ 5,1442 na venda. A moeda chegou a tocar os R$ 5,1587 na venda já nos primeiros minutos de negociação.

Na B3, às 9h05 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 1,21%, a R$ 5,1785.

A moeda norte-americana spot fechou a última sessão, na sexta-feira (6), em alta de 1,13%, a R$ 5,0733, maior valor para um encerramento desde 16 de março (R$ 5,0917).

A semana passada foi marcada por decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, com o mau humor predominando entre os investidores frente aos riscos de uma alta de juros mais agressiva que possa trazer impactos negativos para o ritmo da atividade econômica em escala global.

No mercado local, a aversão ao risco contribuiu para a valorização de 2,65% do dólar no acumulado da semana, com a moeda encerrando na sexta cotada a R$ 5,074 para venda.

Já a Bolsa de Valores teve desvalorização de 2,54% na última semana, com a forte alta das ações da Petrobras no pregão anterior impedindo uma baixa ainda maior.

Os papéis da estatal avançaram mais de 3%, depois de a companhia ter reportado um lucro líquido de R$ 44,5 bilhões no primeiro trimestre do ano.

Na quarta-feira passada (4), o Fed, elevou a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,50 ponto percentual, para um intervalo entre 0,75% e 1% ao ano, e, apesar de o presidente do BC americano, Jerome Powell, ter declarado não considerar um aumento no ritmo de altas para 0,75 ponto, o mercado parece não ter comprado a versão do dirigente.

Pesou adicionalmente para o humor dos investidores globais dados divulgados na sexta (6) que indicaram um mercado de trabalho forte nos Estados Unidos.

Os números reforçaram a percepção de investidores sobre a necessidade de um aperto monetário mais agressivo a ser conduzido pelo Fed, com impactos negativos de juros mais altos para o ritmo da atividade econômica.

Como resultado da maior preocupação sobre os juros nos Estados Unidos, o S&P 500 acumulou desvalorização de 0,20% no acumulado da última semana, e o Dow Jones, de 0,23%. O Nasdaq marcou perdas de 1,54% no período.

Juros no Brasil

Por aqui, também na quarta, e em linha com as expectativas, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) elevou a taxa básica de juros (Selic) novamente em 1 ponto percentual, para 12,75% ao ano. É a maior taxa desde fevereiro de 2017.

O movimento aumentou, ainda mais, a atratividade de títulos de renda fixa, em especial daqueles pós-fixados, que passam a oferecer um rendimento maior a cada alta da Selic.

No comunicado divulgado junto à decisão, a autoridade monetária sinalizou a continuidade do ciclo de alta dos juros, mas em uma intensidade menor. "Para a próxima reunião, o Comitê antevê como provável uma extensão do ciclo com um ajuste de menor magnitude", disse o Copom.