Associação das montadoras anuncia paralisação total das fábricas no país

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) anunciou nesta quinta-feira (24) que a produção ..

Folhapress - 24 de maio de 2018, 21:30

Foto: Beto Barata / PR
Foto: Beto Barata / PR

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) anunciou nesta quinta-feira (24) que a produção de todas a fábricas de veículos do país estará suspensa a partir desta sexta (25) em razão da paralisação dos caminhoneiros.

O setor automotivo, que representa 4% do PIB e 20% da indústria, é extremamente dependente do transporte por caminhões não só para o recebimento de peças para as linhas de montagem mas também para o desembaraço de carros e caminhões prontos para as concessionárias e para a exportação.

De acordo com Anfavea, a paralisação dos caminhoneiros afetará significativamente os resultados tanto para as vendas quanto para a fabricação e exportação. Estima-se uma perda de R$ 250 milhões em impostos por dia, que são gerados pela indústria automobilística.

Os prejuízos são crescentes também nas unidades processadoras de carnes suína e de aves. Animais sem receber alimentação há mais de 50 horas, leite sendo jogado fora todos os dias e queda na movimentação em portos são alguns dos reflexos em se- tores produtivos dos quatro dias de paralisação dos caminhoneiros.

De acordo com a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), subiu para 120 as unidades paradas no país devido à greve dos caminhoneiros, ante as 78 do dia anterior e, com racionamento de ração devido aos protestos nas rodovias, animais devem ser sacrificados antes do abate (abate sanitário). É o que relata o diretor-executivo da ABPA, Ricardo Santin.

As empresas não estão conseguindo levar alimento aos animais, que já começam a morrer e praticar canibalismo, afirma. Só nos três primeiros dias da greve, empresas ligadas à associação deixaram de exportar 25 mil toneladas de carne de frango e suínos, o que equivale a uma receita de US$ 60 milhões (R$ 219 milhões).

Além disso, 1.200 contêineres de carne bovina deixaram de ser enviados ao exterior, conforme a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne). Somadas, as entidades representam mais de 170 empresas e cooperativas da cadeia de proteína animal no país. Se a greve persistir, afirmam, mais de 90% da produção de proteína animal pode ser interrompida até esta sexta.