Aumento da inflação em economias avançadas pode reduzir investimentos em emergentes, diz BC

Larissa Garcia - Folhapress

Inflação e investimentos

O aumento recente da inflação em economias avançadas deve levar a alta de juros nesses países e afetar de forma negativa o fluxo de investimentos aos emergentes. A avaliação foi publicada na ata da reunião do Comef (Comitê de Estabilidade Financeira) do Banco Central, divulgada nesta quarta-feira (8).

De acordo com a autoridade monetária, o aperto monetário global pode levar ao aumento da aversão ao risco, quando o investidor prefere aplicações mais seguras, o que afetaria os preços dos ativos financeiros.

“A inflação permanece elevada nas principais economias, acentuando os riscos de aperto das condições monetárias globais e de correção de preços de ativos financeiros. Movimentos intensos e abruptos de reprecificação de ativos podem ter efeitos negativos para os fluxos de investimentos para economias emergentes”, diz o documento.

“Questionamentos dos mercados a respeito de riscos inflacionários nas economias centrais podem tornar o ambiente desafiador para países emergentes”, ressalta.

O comitê avaliou, no entanto, que a exposição do sistema financeiro à variação cambial é baixa porque a dependência de financiamento externo é pequena.

Para o BC, outro ponto de atenção é que o apetite ao risco das instituições financeiras tem aumentado em algumas modalidades de crédito para famílias, como em financiamentos imobiliários e de veículos.

“Os volumes mensais das contratações no crédito imobiliário seguem em patamares elevados, estimulados pelo nível historicamente baixo das taxas de juros cobradas. Nos financiamentos de veículos, principalmente de automóveis usados, tem-se observado alongamento dos prazos e elevação do percentual do valor do bem financiado”, pontua.

A cada três meses o Comef se reúne para decidir o percentual de ACCP (Adicional Contracíclico de Capital Principal), hoje zerado. Se o comitê entender que o mercado de crédito está se expandindo acima dos níveis saudáveis para a economia, distorcendo preços, ele pode aumentar esse percentual para frear o movimento.

Segundo o documento, o percentual deve permanecer em zero nas próximas reuniões.

“Aumentos do ACCPBrasil entram em vigor somente um ano após as deliberações do Comef. A decisão considerou as condições atuais, os preços dos ativos e as expectativas quanto ao comportamento do mercado de crédito”, diz.

O BC afirma que mantém o monitoramento do crescimento do crédito.

“O Comef entende que a incerteza sobre a solvência de firmas e famílias se reduziu com a materialização recente de perdas apenas modestas”, destaca.

O documento recomenda que os bancos tenham prudência na política de gestão de capital. “É importante que, ao longo de 2021 e 2022, as IFs [instituições financeiras] destinem os lucros de forma conservadora e alinhada às incertezas presentes no atual momento econômico”, orienta.

De acordo com a ata, os resultados dos testes de estresse mostram que o sistema financeiro está resiliente.

“A avaliação de cenários de estresse macroeconômico indica que o sistema não apresentaria problema relevante caso os cenários considerados se concretizassem, inclusive levando-se em conta eventuais alterações nas alíquotas de impostos federais”, diz.

O documento afirma que o nível de liquidez (recursos em caixa) e de capitalização tem se mantido acima dos níveis determinados pelo BC.

“Os índices de solvência do SFN [sistema financeiro nacional] aumentaram levemente no segundo trimestre. A rentabilidade se recupera, com destaque para a menor despesa com provisões para crédito [reserva para cobrir calotes]. As instituições que acumularam ativos líquidos ao longo de 2020 para enfrentar a demanda por recursos durante a pandemia retornam gradativamente a liquidez a seus níveis anteriores”, avalia.

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