BC mantém taxa Selic em 6,5%

Folhapress


Por Tássia Kastner

O Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 6,50% ao ano, em uma decisão amplamente esperada pelo mercado financeiro. A taxa básica de juros está no atual patamar desde março do ano passado, estendendo o período de mínima histórica em um momento em que economistas enxergam espaço para cortes adicionais.

Para o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC, reduções adicionais dependem da aprovação da reforma da Previdência, algo que vem sendo repetido nos comunicados que justificam a decisão da Selic.

As novas regras para aposentadoria são consideradas cruciais para o equilíbrio das contas públicas e, caso não sejam aprovadas, poderiam levar a uma aceleração da inflação.

O mandato do Banco Central é garantir a estabilidade de preços.

“Acreditamos que o Copom manterá a taxa Selic estável […] dadas as projeções de inflação ancoradas em torno das respectivas metas até 2021, e diante da pouca disposição da autoridade monetária em alterar o nível de estímulos até que haja maior clareza sobre as perspectivas para as reformas econômicas – em particular, quanto à reforma da Previdência”, escreveu a equipe econômica do Itaú em relatório.

A inflação em 12 meses registrou repique a 4,58% em março, acima da meta de 4,25%, mas dentro da margem de tolerância.

A perspectiva é de que esse efeito seja apenas temporário, um choques de preços que logo será absorvido, dizem economistas.

“Tais choques devem se dissipar nos próximos meses, fazendo a inflação retornar para abaixo da meta. A inflação implícita para os próximos 12 meses está em 4,09%”, escreveu a corretora Guide.

“Olhando à frente, acreditamos que uma combinação de atividade fraca com projeções de inflação abaixo da meta abrirá espaço para estímulos monetários adicionais, caso o risco de deterioração fiscal seja reduzido após a aprovação da reforma da Previdência”, acrescentou o Itaú.

Estímulos monetários adicionais, fora do jargão do mercado financeiro, é redução da taxa de juros. Na teoria, quando o juro básico cai, há mais dinheiro circulando na economia e o custo (a taxa cobrada dos consumidores) se reduz.

Isso estimularia famílias e empresas a tomarem crédito e movimentar a economia.

A economia brasileira patina e cai semana após semana as expectativas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2019. Na estimativa mais recente colhida pelo Banco Central no Boletim Focus, a projeção era de avanço de 1,49%.

Eles estimam que a Selic terminará o ano no atual patamar, ainda que o mercado fale em chances de cortes.

Há um ano, na reunião de maio do ano passado, o Banco Central surpreendeu o mercado ao decidir manter a Selic no atual patamar, contrariando as estimativas que apontavam corte para 6,25%.

Naquela época, o Banco Central projetava riscos vindos do exterior com o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos, que estimula a migração de recursos de países emergentes para o mercado americano, pressionando o dólar.

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