Lula e Ciro criticam política de preços da Petrobras, assim como Bolsonaro

À frente nas pesquisas de intenção de voto, Lula criticou Bolsonaro e contestou a atual política de preços da Petrobras; Bolsonaro, por sua vez, classificou o aumento como "traição com o povo brasileiro".

Folhapress - 17 de junho de 2022, 20:06

(Foto: Redes sociais)
(Foto: Redes sociais)

O anúncio de novos reajustes na gasolina e no óleo diesel foi alvo nesta sexta-feira (17) de manifestações de pré-candidatos à Presidência nas eleições 2022. A postura do presidente Jair Bolsonaro (PL) em relação à Petrobras virou ponto central de críticas de seus adversários.

Pela manhã, a estatal informou que o preço médio da gasolina nas refinarias será reajustado em 5,2% a partir deste sábado (18), e o valor do diesel, em 14,3%.

À frente nas pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou as redes sociais para criticar Bolsonaro e contestar a atual política de preços da Petrobras.

"Ele [Bolsonaro] inventou que a solução é reduzir o ICMS, mas tudo que ele vai fazer é diminuir o dinheiro da educação e da saúde nos estados", escreveu Lula, em uma referência à intenção do governo de conter o peso do imposto sobre os combustíveis.

"A gente já provou que é possível lucrar com a Petrobras, vendendo a gasolina com o preço em real. Por que depois que viramos autossuficientes em petróleo começamos a importar? Por que impor um preço internacional a um produto nacional? Isso é perda de soberania", continuou o petista.

A atual política de preços da companhia acompanha a variação do petróleo e da taxa de câmbio. Especialistas, contudo, dizem que os aumentos anunciados nesta sexta ainda não foram suficientes para zerar a defasagem frente a cotações internacionais.

Bolsonaro, por sua vez, chamou os reajustes da gasolina e do diesel de "traição com o povo brasileiro". Ele afirmou que está articulando com a cúpula da Câmara dos Deputados a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a direção da Petrobras.

"Conversei agora há pouco com o Arthur Lira (PP-AL), ele está neste momento reunido com líderes partidários. A ideia nossa é propor uma CPI para investigarmos o presidente da Petrobras [José Mauro Ferreira Coelho], os seus diretores e também o conselho administrativo e fiscal", declarou Bolsonaro, durante entrevista a uma rede no Rio Grande do Norte.

Antes do anúncio da estatal, ele escreveu nas redes sociais que a companhia "pode mergulhar o Brasil num caos". "Seu presidente, diretores e conselheiros bem sabem do que aconteceu com a greve dos caminhoneiros em 2018, e as consequências nefastas para a economia do Brasil e a vida do nosso povo", emendou.

O pré-candidato Ciro Gomes (PDT) classificou como "escárnio" o anúncio da Petrobras. Ele também é crítico à política de preços da estatal.

Ciro ainda fez ataques a Bolsonaro, a quem chamou de "banana" e "frouxo".

"Temos uma empresa pública imperial e insensível ao sofrimento do povo. E um presidente banana que não se impõe", disse nas redes sociais.

"A mentira de Bolsonaro foi desmascarada: ICMS não aumenta preços dos combustíveis. Sua frouxidão também: se esconde, tremendo, atrás de Lira para tentar resolver a crise da Petrobras. Fora, seu frouxo!", emendou.

Já a pré-candidata Simone Tebet (MDB) defendeu a ideia de que é possível encontrar alternativas para o quadro de carestia dos combustíveis.

"Quem quer, resolve. Quem não quer, joga a culpa nos outros. A Constituição Federal dá saídas, no plural, para diminuir o preço dos combustíveis em situações excepcionais como agora, criando-se crédito extraordinário ou usando os dividendos da União", afirmou nas redes sociais.

Ela ainda compartilhou um vídeo no qual diz que o Brasil precisa do "estado necessário", não do "estado mínimo", nem do "máximo". "Sou contra a privatização da Petrobras, já disse isso várias vezes, mas sou liberal na economia e sou a favor de privatizações. Comigo não é 8 ou 80. Há um caminho do meio", afirmou.

O pré-candidato André Janones (Avante) também questionou a atuação de Bolsonaro. Ele disse que o ataque do governo à Petrobras "é o primeiro caso de oposição a si mesmo registrado no país".

"O teatro pra atacar a Petrobras, como se o governo não fosse o responsável pela mesma, não cola. Não tem coragem pra atuar na política de preços, vende nosso petróleo cru sem impostos, não gera interesse para investimento em refinarias no país e praticamente doa o nosso etanol", escreveu.

"Um homem que berra por armas, não quer segurança, quer esconder a sua covardia. Desarmado, no campo das ideias, não tem coragem de assumir nem as responsabilidades do governo que exerce. Uma barata tem mais decência e é mais limpa que um Bolsonaro", continuou.

A Petrobras argumenta que valores abaixo dos praticados no cenário internacional criam risco ao abastecimento de diesel no país, já que cerca de 25% do mercado é suprido por produto importado.

"É importante reforçar que a Petrobras é sensível ao momento em que o Brasil e o mundo estão enfrentando e compreende os reflexos que os preços dos combustíveis têm na vida dos cidadãos", disse a estatal nesta sexta.

"Nesse sentido, a companhia tem buscado o equilíbrio dos seus preços com o mercado global, mas sem o repasse imediato para os preços internos da volatilidade das cotações internacionais e da taxa de câmbio", acrescentou.

A carestia dos combustíveis virou dor de cabeça para Bolsonaro às vésperas das eleições. A inflação de produtos como a gasolina e o diesel é vista por membros da campanha do presidente como principal obstáculo para reeleição.

Às vésperas das eleições, o Congresso concluiu a votação de um projeto de lei que estabelece um teto para alíquotas do ICMS sobre combustíveis, uma das apostas do Palácio do Planalto.

Na próxima semana, os parlamentares também devem debater a chamada PEC dos Combustíveis. A proposta autoriza o governo a zerar tributos federais sobre a gasolina e compensar estados que decidam reduzir o ICMS sobre o diesel e o gás de cozinha.