Brasileiro gastou mais com psicólogo, carro e pet em 2021, diz Itaú

O consumidor brasileiro aumentou seus gastos com serviços relacionados a veículos, psicólogos, veterinários e petshops em 2021.

Eduardo Cucolo - Folhapress - 16 de fevereiro de 2022, 21:48

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O consumidor brasileiro aumentou seus gastos com serviços relacionados a veículos, psicólogos, veterinários e petshops em 2021, segundo balanço das compras realizadas com cartões do Itaú Unibanco e vendas realizadas pela Rede, empresa de meios de pagamentos do banco.

O valor total das transações cresceu 24,5% em 2021, depois de uma expansão de apenas 3,5% em 2020. A quantidade de operações avançou 25,4%. A participação das compras online foi de 21,1% –estava em cerca de 18% antes da pandemia.

As gerações Y (nascidos de 1985 a 1999) e Z (2000 a 2010) responderam por 37% e 38% das transações online, respectivamente. Baby Boomers (nascidos de 1945 a 1964) aparecem com 26%, e a geração X (1965 a 1984), com 31%.

Entre os segmentos em destaque no ano estão o valor e a quantidade de gastos com psicólogos, que avançou cerca de 40% nos dois quesitos em relação a 2020.

Nesse caso, a quantidade de transações foi maior entre mulheres (58%) do que entre homens.

Em termos geracionais, a Y é o destaque: os nascidos entre 1985 e 1999 responderam por 41% das operações. Considerando apenas o último trimestre de 2021, houve uma alta no número de transações de de 76% entre mulheres e 16% entre os homens nessa faixa etária.

Moisés Nascimento, diretor de Estratégia e Engenharia de Dados do Itaú, destaca também o avanço da mobilidade refletido no aumento de despesas com estacionamento, pedágio, lava rápido e troca de óleo, todos em torno de 50%. Os demais gastos com manutenção de veículo avançaram 27%.

"Estamos saindo mais de casa. Vivendo esse novo normal", afirma. "Esse crescimento denota o brasileiro de volta ao trânsito, às atividades mais presenciais."

O setor de petshop e veterinários cresceu 25,5% no ano, com destaque para o avanço de 143% nas transações online. O aumento ficou próximo de 60% entre consumidores da geração Z (nascidos de 2000 a 2010).

Por região, apenas o Nordeste teve gastos nesse segmento inferior à média. Uma possível explicação, segundo Nascimento, é que a região concentra quase um terço dos gatos do país (dado do IBGE) e esses animais geram uma despesa menor em relação aos cachorros, de acordo com associação do setor.

Dois setores que ficaram perto da estabilidade em 2020, alimentação e saúde e bem estar (hospitais, médicos, dentistas, veterinários etc.), tiveram crescimento próximo de 30% em 2021. Turismo e postos de combustíveis, que encolheram no ano anterior, avançaram cerca de 50% em 2021.

Nascimento afirma que a participação das compras não presenciais parou de aumentar, dada a retomada das transações presenciais, depois de um rápido avanço nos primeiros meses de 2020 após a decretação da pandemia e de restrições relacionadas à crise sanitária.

Ele diz que o aumento do consumo online é uma tendência e que a sua participação no total deve continuar aumentando gradativamente no longo prazo.

Julia Gottlieb, economista do Itaú Unibanco, afirma que dados mais recentes dos setores industrial e de serviços mostram que a variante ômicron do coronavírus afetou menos a economia, na comparação com os danos causados pelas primeiras ondas da Covid.

Por isso, a economia global está crescendo, apesar dos riscos trazidos pelo aumento dos juros em diversas economias desenvolvidas em reação à alta da inflação.

O Itaú projeta crescimento de 4,4% em 2021 (dado que será conhecido em março deste ano) e retração de 0,5% em 2022 para a economia brasileira. A desaceleração é atribuída, principalmente, ao aumento dos juros, que devem passar dos atuais 10,75% para 12,50% ao ano, na projeção da instituição.

Gottlieb afirma que o aperto monetário tende a atingir, principalmente, os setores cujas vendas dependem mais do crédito.

"Os dados do final do ano passado vieram mais positivos, mas os de janeiro apontam alguma fraqueza da economia adiante", afirma.

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