Campos Neto afirma que diminuiu receio do mercado com eventual vitória de Lula

Para o presidente do BC, a reação do mercado ocorre porque um possível governo que representava risco de medidas mais extremas está se movendo para o centro

15 de fevereiro de 2022, 10:22

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta segunda-feira (14), em entrevista à jornalista Miriam Leitão (GloboNews), que o mercado está menos receoso em relação à passagem de um governo para outro. "Tem vários preços que mostram o risco da passagem de um governo para outro. E mais recentemente, quando a gente olha esses preços, eles atenuaram, caíram um pouco. Significa que o mercado passou a ser menos receoso da passagem de um governo para outro", disse.

A resposta de Campos Neto foi para a pergunta sobre a possibilidade de turbulência em caso de vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Leitão perguntou se uma eventual vitória do petista já está "precificada" pelo mercado. Para o presidente do BC, a reação do mercado ocorre provavelmente porque um possível governo que representava risco de medidas mais extremas está se movendo para o centro.

"Não cabe fazer comentários sobre o que seria cada candidato. Então a nossa interpretação é dos preços do mercado", disse. Hoje favorito na corrida presidencial, Lula tem dito que não quer ser o candidato do PT ou da esquerda unicamente, mas de "um movimento" com alcance maior, incluindo forças sociais. Campos Neto ponderou, no entanto, que ainda é cedo para falar em eleição e ressaltou a autonomia do BC, o que separa os ciclos político e monetário.

Ele destacou que a finalização do processo que garante a autonomia ocorreu no atual governo e citou a ajuda do Congresso Nacional para isso. Afirmou também que fará força para ficar no cargo até o final do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) para solidificar a independência. Campos Neto foi cuidadoso ao responder sobre a possibilidade de boicote de investidores diante do aumento do desmatamento da Amazônia.

Na análise dele, a sustentabilidade é um anseio da sociedade e o pós-Covid será marcado pelo desejo de crescimento sustentável e inclusivo e isso espelha nas decisões de investidores. Ele destacou a "agenda verde" do BC e evitou críticas ao governo Bolsonaro em relação ao tema.

Em outubro de 2021, o presidente do BC afirmou que choques climáticos e ambientais podem ter efeitos duradouros na economia. Segundo ele, no longo prazo, esses fatores afetam a produtividade, o crescimento e a taxa de juros. Para Campos Neto, esses choques podem afetar a oferta de produtos e serviços, com impacto na inflação.