Cancelamento da votação do impeachment na Câmara causou alta do dólar

Mariana Ohde


O anúncio de que a aprovação da admissibilidade do processo da impeachment da presidente Dilma Rousseff pela Câmara dos Deputados seria anulada – informação divulgada pelo presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão, que nesta terça-feira (10) revogou a decisão – fez com que o dólar disparasse nesta segunda-feira (10). A moeda foi de R$ 3,520 para R$ 3,672 e fechou em R$ 3,5249, avanço de 0,61%. Hoje, a tendência é de queda, mas a volatilidade deve permanecer com os desdobramentos do processo de impedimento no Senado. Saiba mais no boletim de abertura de mercado, com o superintendente regional de câmbio da SLW, João Paulo de Gracia Corrêa:

A semana começou agitada no mercado de câmbio brasileiro ontem. O dólar, que abriu em leve queda, logo reverteu sua trajetória refletindo a cautela exterior, com a decepcionante balança comercial chinesa e a virada, para baixo, do preço do barril de petróleo no exterior. Aqui, depois da forte queda da moeda americana na sexta-feira, agentes domésticos aproveitaram para recompor suas posições, com a expectativa sobre um eventual governo Temer, que reacenderia a paralisada economia brasileira. Entretanto, o ponto alto do pregão foi a surpreendente informação divulgada pelo presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão, por meio de nota, de que as sessões que resultaram a autorização da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma seriam anuladas.

O dólar disparou de R$ 3,520 para R$ 3,672, com várias interrupções no mercado futuro na BM&F. Após a declaração irresponsável e monocrática do parlamentar, Renan Calheiros foi ao Senado anunciar que iria ignorar tal informação e que o processo de afastamento de Dilma correria normalmente na Casa. A poeira baixou e o dólar devolveu a maior parte dos ganhos vistos no final da manhã e início da tarde. Ao final do dia, a divisa dos EUA fechou cotada em R$ 3,5249, avanço de 0,61%.

Hoje, os investidores internacionais focam suas atenções na forte valorização da bolsa de Tóquio e na desvalorização do iene, após o ministro das Finanças, Taro Aso, reiterar sua disposição de atuar no mercado de câmbio caso a moeda japonesa mantiver a recente tendência de valorização. A recuperação do preço do barril de petróleo também ajuda na estabilização dos mercados externos, colocando em segundo plano os dados mais fracos de inflação da China. Com isso, tanto as bolsas europeias como os futuros americanos operam em alta. Aqui, depois dos ruídos causados pela suspensão do impeachment aprovado na Câmara, a continuidade do processo de afastamento da petista foi garantida pelo Senado e deve amenizar o clima de insegurança na sessão doméstica de hoje. Com isso, o dólar deve abrir em queda. Contudo, não descartamos volatilidade no mercado de câmbio nesta semana decisiva no Congresso.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal