Carne Fraca pode ter efeitos positivos no agronegócio, diz SRB

Mariana Ohde


O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Marcelo Weyland Barbosa Vieira, disse nesta segunda-feira (27) que a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal (PF), poderá, a médio e longo prazo, produzir efeitos positivos no agronegócio do país.

Vieira, que assumiu nesta segunda-feira a presidência da entidade, negou que a imagem negativa, causada pela operação da PF na indústria da carne, possa contaminar outros setores rurais.

“Nós temos uma posição aqui talvez um pouco fora da curva. Nós achamos que, para o agronegócio do país como um todo, isso pode ter efeitos muito positivos”, disse.

“Os impactos iniciais nos pareceram preocupantes, mas tudo indica agora que os impactos a médio prazo serão bons. O consumidor brasileiro passou a se interessar um pouco mais por toda essa estrutura de controle sanitário e está vendo como é bem estruturada”.

O presidente da SRB disse que apesar dos problemas iniciais relacionados às suspensões de compra do produto brasileiro por alguns países, o valor do produto brasileiro deverá rapidamente voltar a seu patamar original.

“Como toda e qualquer commoditie [produtos básicos, com baixo grau de transformação e pouco valor agregado, como recursos minerais, vegetais ou agrícolas], você tem, nessas situações de mercado com acontecimentos extraordinários, variações importantes de preço. Mas, geralmente, como em todo mercado de commodities, são oscilações rápidas, que são corrigidas rapidamente. Voltaremos a ter preços definidos pela oferta e demanda do produto e nós já estamos vendo isso no curto prazo”, disse.

Segundo a PF, os frigoríficos envolvidos na Operação Carne Fraca “maquiavam” carnes vencidas com produtos químicos e as reembalavam para conseguir vendê-las. As empresas, de acordo com a polícia, subornavam fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para que autorizassem a comercialização do produto sem a devida fiscalização. A carne imprópria para consumo era destinada tanto ao mercado interno quanto à exportação.

Crítica no Paraná

Na segunda-feira (20) após a operação, a Sociedade Rural do Paraná reagiu às denúncias de irregularidades cometidas por frigoríficos com nota publicada no site da instituição, pedindo mais cautela na divulgação dos fatos. “Somos terminantemente contra as proporções que o caso tomou, devido à divulgação do fato de forma generalizada, como se toda nossa produção estivesse em xeque e todos os fiscais de sanidade fossem corruptos”, diz o texto.

A Sociedade Rural reforça que apoia as investigações e pede a punição dos responsáveis o mais rápido possível para evitar que todo o setor seja prejudicado.

“O produtor brasileiro vem investindo pesadamente em boa genética e de seu rebanho e nosso país é, reconhecidamente, produtor de carne de qualidade. Não podemos deixar que as investigações, que atingiram algumas das plantas industriais, respinguem em todo o setor. Queremos que todos os fatos sejam esclarecidos o mais breve possível, com clareza e informação de qualidade, que mostrem o quão pontual são os problemas e o que representam no contexto geral. Nossa carne é segura e produzida com empenho e muito investimento”.

“As repercussões deste fato poderão trazer grandes prejuízos e impactar de forma negativa na cadeia do agronegócio, um setor que traz bons resultados e orgulho ao país. Por isso, pedimos mais cautela e apuração minuciosa antes da divulgação dos fatos de forma tão generalizada”, finaliza a nota.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal