Chefe do Ministério da Agricultura em Londrina é condenado a 32 anos de prisão na Carne Fraca

Roger Pereira

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O juiz federal Marcos Josegrei da Silva, responsável pelas ações penais da Operação Carne Fraca, condenou, nesta segunda-feira, 11 envolvidos em fraudes na fiscalização da Unidade Técnica Regional de Agricultura de Londrina. Entre os condenados, estão o chefe da unidade, Juarez José de Santana, apontado como coordenador do esquema criminoso, e o fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho, delator do esquema. Essa é a quarta sentença dos processos da Carne Fraca. Ao todo, 20 pessoas foram condenadas pelo juiz da 14.ª Vara Federal de Curitiba.

Santana foi apontado como líder de uma organização criminosa, que fraudava as fiscalizações do órgão em troca de propinas. O juiz condenou Santana a 32 anos de prisão por 11 crimes: nove crimes de corrupção, advocacia administrativa e organização criminosa. Segundo a denúncia, ele comandava o “recebimento de vantagens indevidas, notadamente dinheiro e alimentos, e, também, ocupava-se em atender pedidos de assinaturas de certificados sanitários, isto sem se preocupar em fiscalizar a regularidade dos produtos”.

Ainda de acordo com as investigações, Santana teria atuado reiteradamente, por muitos anos, no âmbito do Ministério da Agricultura no Paraná, permitindo a liberação de alimentos sem qualquer fiscalização e possibilitando a inserção no mercado de produtos impróprios ao consumo humano, colocando em risco a saúde dos consumidores.

Na sentença, o juiz da 14.ª Vara Federal de Curitiba determina que os envolvidos ligados a cargos no Ministério da Agricultura sejam punidos ao perdimento do cargo, assim que o caso estiver transitado em julgado.

Além de Santana e Daniel Gonçalves Filho, foram condenados os fiscais Gércio Luiz Bonesi, Luiz Alberto Patzer, Luiz Carlos Zanin Junior e Sidiomar de Campos, além dos empresários, responsáveis por frigoríficos da região, João Roberto Welter, Marcos Cesar Artacho, Roberto Brasiliano da Silva, Roberto Pelle e Vicente Cláudio Damião Lara.

Na mesma sentença, o juiz absolveu outros nove réus, entre eles os fiscais Maria do Rocio Nascimento e Daniel Gonçalves Filho, delatores da operação, por considerar que, na hierarquia da unidade técnica, eles não tinham poder de decisão sobre os atos praticados.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal